Wagner Domingues Francisco, 30 anos, e seu irmão, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39, estiveram juntos apenas uma vez desde 10 de fevereiro, quando o mais velho foi preso como suspeito do desaparecimento de três pessoas em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Ele não comenta a investigação policial, mas destaca que o PM garante inocência e que sua família também quer saber o que ocorreu com a ex-cunhada Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, respectivamente 69 e 70 anos, entre os dias 24 e 25 de janeiro.
“Também queremos que o caso seja esclarecido de uma vez. Somente meu irmão é investigado, mas outros familiares acabam sendo atingidos por boatos e difamações, por serem parentes dele. Todos temos interesse em saber o que aconteceu. Nosso maior desejo é que a justiça seja feita”, enfatiza Wagner Domingues.
O casamento de Cristiano e Silvana acabou pouco após o nascimento do filho, atualmente com nove anos. A criança está aos cuidados da avó paterna, de 62. De acordo com o tio, devido ao caso, o menino precisou trocar de escola.
"Meu sobrinho teve que mudar de colégio. A gente tenta preservá-lo, na medida do possível, da repercussão. Ele está bem, mas sente muita saudade dos pais”, lamenta Wagner.
Avó e neto foram importunados por um homem na Rua Guaíba, no bairro Vila Anair, em 18 de fevereiro. O sujeito teria dito ao menino: “sabia que teu pai matou tua mãe?”, em tom de deboche. Ele foi detido por crime de injúria, sendo solto no mesmo dia.
Cristiano Domingues está preso temporariamente no Batalhão de Operações Especiais (Boe), em Porto Alegre, onde recebeu visita de parentes no dia 22 de fevereiro. No encontro, negou qualquer envolvimento com o sumiço da família Aguiar. “Ele está bastante aborrecido com as alegações. Afirma ser inocente”, resume o irmão.
A família do PM mora em Cachoeirinha, mas tem outra propriedade em Costa do Ipiranga, na área rural de Gravataí. Em 19 de fevereiro, a Polícia Civil fez buscas na chácara, verificando que o local não teria sido utilizado na ocultação de vítimas.
"No sítio há um poço que foi aterrado em outubro, meses antes do desaparecimento, mas tem gente que ainda insiste em espalhar boatos de corpos escondidos ali. Para se ter uma ideia, uma equipe de televisão entrou escondida no lugar. Isso é invasão de propriedade privada. A Polícia Civil já fez diligências, sem dúvida teria percebido se o terreno estivesse revirado ou algo assim. Nossa família tem cooperado com a investigação. Estamos cansados de tantas mentiras”, desabafou o irmão do PM.
O que diz o advogado Jeverson Barcellos, que defende Cristiano Domingues Francisco
A defesa de Cristiano, passados 19 dias da prisão, reafirma seu extenso e detalhado depoimento, prestado a autoridade policial ainda como testemunha e desacompanhado de defensor, no sentido de que é absolutamente inocente. A aproximação com o imóvel de Silvana, foi por solicitação dos pais, bem como, na busca de roupas e objetos pessoais do filho, que estava em sua residência para passar apenas o final de semana, ainda, para alimentar animais de estimação do filho, tudo com conhecimento da Polícia Civil. Pende a investigação de laudos e respostas de extração de dados, intimação de testemunhas indicadas e outros procedimentos, o que efetivamente prejudica uma manifestação mais criteriosa, o que ocorrerá oportunamente. Obviamente, Cristiano não poderia ter ficado totalmente ausente de todo o contexto, já que possui com Silvana um filho de nove anos de idade, que agora além de afastado da mãe e dos avós maternos, está sem qualquer contato com seu pai desde o dia 10 do corrente mês.
- Sinal detectado na rede de internet de PM é da televisão de mulher desaparecida em Cachoeirinha, aponta laudo
- O que a Polícia Civil tenta desvendar um mês após desaparecimento de família em Cachoeirinha
- Polícia intensifica buscas na tentativa de localizar família Aguiar, desaparecida de Cachoeirinha há um mês
- Mãe e filho de PM fazem coleta genética para comparação com sangue encontrado na casa de mulher desaparecida em Cachoeirinha