Polícia

Taurus é condenada a indenizar voluntários que resgataram armas durante enchente

Grupo alegou ter sido chamado para resgatar crianças ilhadas no Aeroporto Salgado Filho

Carga de armas estava ilhada no Aeroporto Salgado Filho
Carga de armas estava ilhada no Aeroporto Salgado Filho Foto : Maurício Tonetto / Secom Gov RS / CP

A 6ª Vara Federal de Porto Alegre condenou a empresa Taurus Armas a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a cada um dos seis voluntários que participaram da retirada de cargas de armas no Aeroporto Internacional Salgado Filho durante a enchente de maio de 2024. A sentença foi publicada nesta semana pelo juiz Rodrigo Machado Coutinho.

Os voluntários (cinco homens e uma mulher) afirmaram que foram chamados por mensagens em um grupo de resgate no WhatsApp para uma suposta operação de salvamento de crianças ilhadas. O grupo relatou ter vindo de Capão da Canoa, no Litoral Norte, com dois barcos e mais dois carros para realizar o resgate. Ao chegarem ao local, descobriram que o objetivo real era resgatar um arsenal de armas da Taurus que havia ficado preso no aeroporto alagado.

As vítimas alegaram terem sido coagidas a continuar a ação, ficando à mercê de grupos criminosos que sabiam das armas ilhadas no local. Segundo o grupo, eles foram encarregados de organizar a logística do resgate do armamento e removeram aproximadamente 156 caixas de material bélico, cada uma pesando em média 60kg. Relataram ainda que foram expostos em uma reportagem televisiva, o que teria aumentado seu medo de represálias por facções criminosas.

Empresa nega irregularidades

A Taurus é uma das maiores fabricantes de armas de fogo do Brasil, com sede no Rio Grande do Sul. No processo, a empresa negou ilegalidades e afirmou que a operação foi determinada pela Polícia Federal, que acompanhou toda a ação junto à Polícia Civil, Fraport e escolta privada. Disse ainda que os voluntários participaram por vontade própria e que a divulgação de imagens ocorreu pelas próprias redes sociais dos autores.

Na decisão, o juiz rejeitou a acusação de coação. Segundo ele, não há prova de que os voluntários foram obrigados a continuar na operação após saberem que se tratava do transporte de armas. Citou ainda que eles circularam livremente, tiraram fotos e mantiveram conversas amigáveis com funcionários da empresa depois da ação.

O magistrado, porém, considerou que a Taurus agiu de forma incorreta ao acionar os voluntários com a informação falsa de que se tratava do resgate de crianças, o que motivou o deslocamento do grupo até Porto Alegre. Para o juiz, houve quebra de boa-fé no primeiro contato.

A União foi absolvida, pois, segundo a sentença, sua responsabilidade se limitava à segurança do aeroporto em meio à calamidade.

Ainda cabe recurso da decisão no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

A reportagem procurou a Taurus e não obteve retorno até a publicação.