Polícia

Taxista fingiu enfartar para escapar de assaltantes

Vítima foi mantida refém por quase duas horas em Porto Alegre

Taxista fingiu problema no coração para escapar de assaltantes
Taxista fingiu problema no coração para escapar de assaltantes Foto : Paulo Nunes
"Não faça isso, meu filho. Calma, o pai está bem". Com este pedido, abraçado ao filho, o taxista Waldemar Erani Cereça, 59 anos, tentava controlar o ímpeto do rapaz, que queria espancar um dos assaltantes que fizera o seu pai refém poucas horas antes. O momento comoveu as pessoas que estavam ao redor. O taxista lembrou dos momentos de tensão que passou em poder de dois assaltantes por 1h30min na tarde desta quarta-feira, em Porto Alegre.

Cercado por dois filhos, a mulher e um sobrinho, Cereça sorria muito, tentando disfarçar o nervosismo enquanto falava com a reportagem do Correio do Povo. O fato de ter simulado um problema cardíaco foi preponderante para se livrar dos criminosos e não ser assassinado. O taxista garantiu não ter problema algum no coração. Parado em frente ao seu táxi, um Siena, com o vidro traseiro estilhaçado, Cereça recordou quando os dois tomaram o táxi, na Protásio Alves, embaixo do viaduto da Mariante, e das voltas dadas pela Capital e por Alvorada. "Quando fomos para Alvorada, andei por quase toda cidade", contou. "Inclusive por locais que nunca tinha visto antes".

Com 30 anos de profissão, este é o oitavo assalto sofrido pelo taxista e também o que ele classifica de "o pior de todas". Cereça sempre se manteve calmo e em nenhum momento tentou reagir. Quando os ladrões ordenaram para ir até sua casa e ainda contaram que ficariam com o táxi para ir a Caxias do Sul fazer um assalto, a vítima teve a ideia de fingir sofrer um mal repentino no coração. "Um deles me disse que um tio tinha morrido disso", contou. "Eu só dizia que estava me sentindo mal, com um dor aguda no peito".

A simulação deu certo. Os assaltantes pararam em um posto de combustíveis, já em Porto Alegre, e compraram uma garrafa de água mineral, com o dinheiro do taxista. Em seguida, o deixaram no hospital Cristo Redentor. "Entrei e fiquei cuidando, quando vi que estavam longe. Saí e parei um táxi que estava passando", disse Cereça. "O colega deu o alerta pelo rádio e eu procurei um telefone público e liguei para a Brigada Militar".

Como o carro tem GPS, em seguida a BM localizou os assaltantes. Houve confronto, que acabou com a morte de um dos criminosos. O preso estava em liberdade condicional e residia em Viamão. Segundo o subcomandante da BM, coronel Jones Calixtrato dos Santos, a intenção dos bandidos seria matar o taxista, pois, se não fosse o caso, não teriam contado o que pretendiam fazer.

De acordo com o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre, de cinco a seis ataques por dia contra profissionais ocorrem em Porto Alegre. De acordo com este cálculo, o número de casos pode ter passado de 1,5 mil, só neste ano. Na polícia, os registros não passam da média de um caso por dia, conforme o presidente da representação, Luiz Nozari. Em 2009, cinco profissionais foram assassinados somente em Porto Alegre. Três casos foram esclarecidos.