Souza era taxista há dois meses. Tinha ganhado o veículo do avô, com quem morava junto. Trabalhava durante o dia e não tinha receio do perigo. Antes do táxi, atuou como instrutor de autoescola. “Ele sempre gostava muito do que fazia. Era uma pessoa tranquila, sempre sorridente. Eu vejo que as pessoas estão deixando de ser humanas. precisamos respeitar o próximo. Eu nunca mais vou esquecer o que estes bandidos fizeram. Hoje eu poderia estar passando o tempo com o meu filho e estou aqui enterrando o meu melhor amigo”, desabafa Felipe Tilico, de 36 anos.
A namorada reforça as palavras do amigo. Segundo ela, em poucos dias de táxi, Souza já tinha clientes assíduos. “Ele era muito tranquilo. No dia em que ele morreu, a gente iria levar a papelada na imobiliária para fechar o aluguel do nosso apartamento”, conta Marina, que estava com o taxista há oito meses. Segundo a mãe do jovem, Nara Margarete da Silva, Souza gostava muito de surfar, de reggae e de estar em meio às pessoas. O tio Luis Carlos da Silva disse que recebeu com surpresa a notícia da morte. “Eu nem sabia que ele estava trabalhando com táxi. Mas se eu soubesse eu daria o conselho de que não era bom. Hoje trabalhar em táxi é arriscar a vida”.
Na segunda-feira o taxista foi morto a tiro, vítima de um suposto desentendimento no trânsito. Ele foi baleado dentro do táxi, na rua Amapá, zona Sul da Capital. O desentendimento teria ocorrido depois de uma leve colisão entre o táxi e uma motocicleta, com dois homens. Sem acerto sobre quem pagaria o prejuízo, cada um seguiu seu caminho. No entanto, os motociclistas resolveram retornar e usar uma arma para acertar o taxista. Dois disparos atingiram a lataria e outro o peito do taxista.
De acordo com levantamento do Sintaxi, em 2013 houve cinco latrocínios e um homicídio envolvendo taxistas neste ano, em Porto Alegre.