Na saída do Hospital Militar, Damasceno disse à imprensa que estava abalado e não tinha condições de responder a questionamentos. Ele estava fardado, abatido e tinha nas mãos curativos para evitar infecções.O tenente-coronel também estava acompanhado do filho além dos advogados.
Já no carro de um dos defensores, ele disse, no entanto, que seu objetivo a partir de agora é se tratar e se curar do mal súbito que teve após ser preso. O oficial também afirmou que está à disposição da BM para servir onde for designado.
O advogado Bráulio Marques, que defende o oficial, apresentou um documento em que afirma que o 20º BPM é um local que é permitido receber armas, por isso, não teria sido cometido nenhum crime. O defensor afirmou ainda que o prisão de Damasceno seria "perseguição política". “Quando se diz que um comandante da BM tem ficha partidária, se tira da instituição a isenção necessária”, afirmou. O advogado lembrou ainda que o tenente-coronel foi preso “sem consideração nenhuma diante de seus subordinados e sem avaliar se realmente as armas eram oriundas de um crime”.
O defensor também recordou a trajetória de idoneidade de seu cliente ao longo de mais de 30 anos de corporação. “O fato só corrobora os boatos de partidarização na BM”, lamentou. A partir de agora, o policial responderá ao inquérito em liberdade.
Já o advogado Miguel Arcanjo avaliou a prisão como “açodamento da BM”. Ele observou que as armas foram buscadas na casa da viúva por policiais militares em uma viatura e levadas para uma unidade da corporação. “Estas armas nunca saíram do poder do Estado”, enfatizou. Ele explicou ainda que a guia de trânsito de armas é para cidadãos comuns. “Foi um grande equívoco”, considerou, em alusão à prisão de seu cliente.
Uma denúncia anônima sobre o porte do armamento mobilizou a Corregedoria da corporação. Uma equipe liderada pelo corregedor, coronel Flávio Vesule, visitou o 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), comandado pelo suspeito. No armário do gabinete do oficial, foram encontradas nove armas, carregadores e 4,2 mil projéteis de diversos calibres.
Oficial alega que faria entrega das armas à Polícia Federal
Após a revista da Corregedoria da Brigada Militar ao gabinete do 20ºBPM, o oficial confirmou que receberia uma entrega de armas, mas alegou que o material pertencia a um colecionador, já falecido. O armamento estaria com a viúva, que seria parente do tenente-coronel e teria solicitado ajuda a ele para transportar as armas até a Polícia Federal (PF), conforme determina a lei.
Como o tenente-coronel não apresentou a documentação específica para portar o armamento, foi autorizada a prisão e feito o flagrante por receptação. O oficial passou mal após ser detido e foi levado ao Hospital da Brigada Militar, onde ficou internado e aguardava uma decisão da Justiça Militar.