Polícia

Testemunhas de acusação do caso Roselani depõem em Novo Hamburgo

Empresária confessou ter matado marido, irmã e sobrinha em abril de 2009

Roselani confessou ter matado o marido, além da irmã e da sobrinha
Roselani confessou ter matado o marido, além da irmã e da sobrinha Foto : Arquivo pessoal
Prestes a completar um ano, um dos crimes mais bárbaros registrados no Vale dos Sinos está prestes a ir à juri popular. Na tarde de hoje, 10 pessoas, testemunhas da acusação da empresária de Novo Hamburgo Roselani D'Ávila depõem ao juiz da 1ª Vara Criminal da cidade, André Vorraber Costa. Ontem, outras 13 pessoas foram ouvidas. Entretanto, segundo o advogado de Roselani, Jader Marques, as audiências são desnecessárias. Isso porque ela confessou a morte do marido, Flávio D'Ávila, de 54 anos, da irmã Rosângela de Freitas, de 45 anos, e da sobrinha, Maria Francisca, de seis anos, em abril de 2009.

Além disso, Marques aponta que as pessoas não poderão confrontar o laudo técnico do final do ano passado que atesta a insanidade de Roselani, que está detida no Instituto Psiquiátrico Forense e foi dispensada de comparecer às audiências. “As pessoas não conseguem depor sobre a questão técnica. Irão falar o que todos já sabem e não irão trazer elementos relativos à questão da insanidade mental, porque não têm condições de fazer isso, são apenas testemunhas”, argumenta.

A alegação de Roselani é que, com a falência da empresa do ramo de calçados que ela possuía, restaram dívidas em torno de R$ 2 milhões e a família estaria sofrendo. Ela justificou, em depoimento, que matou a facadas o marido, a irmã e a sobrinha para livrá-los desse sofrimento. Mas o promotor José Nilton da Costa quer esclarecer ainda se esse realmente foi o motivo dos assassinatos. 

Caso não haja tempo para ouvir todas as testemunhas, o juiz deverá solicitar mais uma audiência. Depois, haverá prazo para as considerações da defesa e da acusação. Em maio, o juiz deve decidir se a ré irá ou não a júri popular. Se ele optar por essa forma de julgamento, é possível que o julgamento ocorra no final deste ano.

O caso

Em 14 de abril, a empresária Roselani Radaelli Picinini D’Ávila, na época com 47 anos, matou o marido, Flávio Machado D’ Ávila, 54, com uma facada no pescoço. O empresário dormia, às 5h38, quando foi esfaqueado. A acusada ainda teria sufocado a vítima com um travesseiro. O crime aconteceu no quarto do apartamento localizado no 12º andar do Residencial Vitória Régia, na Avenida Doutor Maurício Cardoso, em Novo Hamburgo. A empresária escreveu uma carta de 14 páginas sobre seus problemas familiares e financeiros. Ela saiu para trabalhar, fazer compras e ainda foi à igreja

No dia seguinte, 15 de abril, Roselani foi dormir no apartamento da irmã, Rosângela de Freitas, na Rua Joaquim Manoel de Macedo, no bairro Operário. Por volta das 4h30, ela deu uma facada no pescoço de Rosângela, que ainda conseguiu gritar para a filha Maria Francisca de Freitas, 6, pedindo para chamar ajuda. Roselani então executou a sobrinha e depois tentou suicídio. Ela permaneceu até 1º de maio internada no Hospital Municipal de Novo Hamburgo, quando depôs à Polícia Civil. Depois, foi encaminhada à Penitenciária Madre Pelletier e, em seguida, para o Instituto Psiquiátrico Forense.