Leia mais sobre a violência no Rio
Veja as fotos das operações contra o tráfico nesta quinta-feira
“Tiramos algo dessas pessoas que nunca havia sido tirado. Seu território, seu porto seguro. Faziam suas barbaridades na cidade e corriam covardemente para o seu reduto”, declarou Beltrame. “Se não tirar deles espaço e território, não se avança”, acrescentou.
O secretário classificou a tomada da Cruzeiro como um “atalho” para controlar a violência no Rio. “A decisão foi tomada porque as informações vindas da casas prisionais mostravam que as ordens chegam à Vila Cruzeiro e ali são espalhadas para a cidade e para outros pontos da periferia. Agora a polícia está e lá, e não vai sair de lá”, relatou.
O secretário se recusou a comentar os próximos planos das polícias Militar e Civil para sexta-feira. “Não vou comentar quais são por questão de segurança. Se eu fosse explicar colocaria em risco a segurança dos policiais e dos objetivos que se pretende alcançar daqui para a frente”, justificou. “A ação pode demorar, pode dar uma resposta só lá para a frente, pode nos angustiar, mas ela é sólida”, garantiu Beltrame.
Ele relatou, ainda, que a instalação antecipada de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) não está nos planos do governo. "Não há o que se falar de UPP no momento. É uma caminhada muito grande e existem uma série de ações que devem ser feitas não só ali, mas em outros lugares. A manutenção da PM naquela área vai requerer um esforço muito grande. A ação de hoje é desconectada de implantação de UPPs".
O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowsky, agradeceu o apoio da Marinha e usou um tom desafiador para explicar o sucesso das operações desta quinta. “Com apoio dos blindados da marinha, a PM e a Civil conseguiram a tomada com certa facilidade de um território que era considerado um local seguro pelos traficantes”, comentou ele. “Ficou provado que o Estado com preparação entra em qualquer lugar. Que seja um sinal bem claro para outros traficantes”, finalizou Turnowsky.
O comandante geral da PM, Mário Sérgio Duarte, pediu a contribuição dos habitantes das áreas em conflito para evitar vítimas civis. "Não atire na polícia, pois ela vai ter que agir", definiu ele, acrescentando que terão reforços da Polícia Federal na quinta-feira. "Apesar do controle da comunidade, ainda temos muito trabalho a realizar na Vila Cruzeiro", completou.
Segurança para Copa e Olimpíadas
Durante a coletiva, Beltrame negou que a escalada de violência e a resposta policial possam prejudicar a organização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. "As imagens estão mostrando para o Brasil e para o mundo que esse problema não é só do Rio de Janeiro. Ele é um problema de um País que tem uma série de episódios internacionais pela frente. E isso (o crime organizado) não pode nos intimidar, as ações estão sendo feitas para garantir a continuidade do que está sendo promovido", destacou.
"Não é o povo carioca, mas sim os marginais que sujam as ruas da nossa cidade, muitas vezes com sangue inocente. Não é de uma hora para outra que vamos sanar isso", afirmou o secretário de Segurança. "Demos um passo importante, mas não há nada ganho e nenhum tipo de motivo para comemorar qualquer coisa. Esse sucesso só nos diz que devemos ir em frente", completou.