Polícia

"Tivemos sucesso porque conquistamos a confiança dele", diz BM

Rodrigo Luciano Luz libertou ex-mulher e se entregou na noite desta segunda-feira, em Canoas

Brigada Militar negociou a rendição pacífica no caso de cárcere privado em Canoas
Brigada Militar negociou a rendição pacífica no caso de cárcere privado em Canoas Foto : Leandro Cabral / CP
De acordo com o subcomandante da Brigada Miltiar, coronel Jones Calixtrato, o maior desafio para libertar a refém Josiane Pontes no caso de cárcere privado foi estabelecer uma relação de confiança com o vigilante Rodrigo Luciano Luz. Por quase 70h, as negociações evoluíram e retrocederam, até o desfecho pacífico às 20h24min desta segunda-feira, em Canoas.

“Foi um caso muito difícil. No primeiro dia, ele estava muito exaltado”, destaca o subcomandante da Brigada Militar, Jones Calixtrato dos Santos.

O objetivo era ganhar a confiança de Rodrigo. De dentro da casa, ele demonstrava medo de ser morto durante a ação. Por três vezes negociou a rendição, mas voltou atrás. Recebia informações por telefone de que atiradores de elite aguardavam a sua saída da casa.

“Prometemos que não invadiríamos. Quando ele chegasse ao portão, o grupo de ações táticas efetuaria a prisão”, explica o subcomandante da BM.

A entrega da refém aconteceu na noite desta segunda-feira. Primeiro, Rodrigo abandonou a arma. Depois, liberou Josiane, que chegou a desmaiar quando foi retirada do local pela Brigada Militar e posta em um ambulância. Por último, ele deixou a casa e foi detido no pátio da casa por homens do Gate.

No cativeiro, Rodrigo não agrediu Josiane fisicamente. Manteve a ex-mulher sob a mira da arma e a ameaçou, mas não bateu nela. Um dos pontos mais tensos ocorreu às 18h30min de sábado, quando Rodrigo ameaçava matar a mulher e depois se matar. Foi preciso acalmá-lo, com a ajuda de familiares e amigos, para que ele desistisse da ideia.

Na visão da Brigada Militar, o desfecho sem violência para o caso ficou encaminhado na manhã de domingo. Com fome, Rodrigo prometeu aos negociadores não matar a ex-mulher em troca de comida. “Trocamos dois sanduíches pela vida dela”, revela capitão Araújo, um do negociadores da BM.

Caberá à Polícia Civil, a partir de agora, esclarecer alguns pontos que não ficaram claros para a Brigada Militar: como ele se manteve acordado das 11h de sexta-feira até a noite de segunda-feira e onde ele comprou a arma, 24h antes de tomar os filhos e a ex-mulher como reféns.