Três pessoas foram indiciados pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Pavlova, que investiga fraudes em duas seguradoras no Rio Grande do Sul. São eles: um servidor público - que ocupou o cargo de superintendente nacional da Superintendência de Seguros Privados (Susep) - sua irmã e um advogado. Eles vão responder por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva.
Conforme o delegado federal Eduardo Dalmolin Bollis, o esquema teria desviado pelo R$ 5 milhões em apenas uma empresa. As investigações apontaram que o dinheiro saía dos cofres da seguradora via contratos de prestações de serviço com o advogado, que atuava como um intermediário no esquema. “Ele tinha prestação de serviços que nunca ficou razoavelmente evidenciado”, observa o delegado.
O recurso seguia caminho até chegar, de alguma maneira, até o superintendente da Susep. Entre as alternativas para o dinheiro ser entregue para o servidor público estava o uso de pessoas próximas do superintendente, que recebiam dinheiro do advogado. “Durante as investigações conseguimos levantar diversas operações de pagamentos para pessoas próximas do superintendente. Algumas pessoas sequer sabiam que contas tinham sido utilizadas”, explica Bollis.
O dinheiro chegava também em favor de empresas ou por outra possibilidade, que a Polícia Federal ainda está investigando: por meio de contratos de compra e venda de imóveis. A propina repassada para o superintendente tinha como intenção evitar uma intervenção da Superintendência de Seguros Privados na empresa. Chamou a atenção dos policiais federais que, poucos meses após a saída dele do cargo, a seguradora foi liquidada extrajudicialmente.
A polícia apreendeu nesta segunda-feira um automóvel Mercedes CLS, avaliado em R$ 350 mil, e ainda pediu o sequestro de 14 imóveis. Durante a ação, foram aprendidos mais de R$ 25 mil – R$ 10.410,00 em Porto Alegre e R$ 25.280,00 em Santo Antônio da Patrulha. Agora, os próximos passos da investigação consiste na analisa da documentação apreendida, a perícia contábil e ouvir pessoas que possam a vir colaborar com novas informações.
Na tarde desta segunda-feira, os dois principais alvos da investigação da Polícia Federal foram localizados em Porto Alegre e encaminhados para a sede do órgão. Outras duas testemunhas, que estavam na Capital foram conduzidas coercitivamente para a PF. De Santo Antônio da Patrulha vieram um investigado e uma testemunha.
Na primeira fase da operação, deflagrada em 15 de abril, o foco foi a análise de operações atípicas realizadas pela administração de duas seguradores. Na época, quatro foram indiciados: duas que eram diretamente ligadas a empresa de seguras e outras duas que atuavam como laranjas.
Três são indiciados pela PF na Operação Pavlova no RS
Trio responderá por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva