Poucas horas após a Brigada Militar reforçar o policiamento na Ilha Grande dos Marinheiros, em Porto Alegre, se espalhou pela comunidade a informação de um toque de recolher anunciado por traficantes que disputam o território. O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar (BPM), major Francisco Vieira, nega que isso esteja ocorrendo. Cinco viaturas – entre carros e motociclistas – foram colocadas para circular pela região das ilhas.
Entretanto, a sensação de insegurança tomou conta da região. A reportagem do Correio do Povo esteve no local à tarde e foi recebida com olhares desconfiados e medo. Três pessoas se negaram a falar com a imprensa com receio das consequências e saíram em disparado ao ver a aproximação da reportagem. Outra pessoa pediu que só se mantivesse contato por telefone. Ou seja, o possível toque de recolher veio acompanhado da lei do silêncio.
Uma senhora disse que a onda de violência começou após a morte do líder do tráfico nas ilhas, que ocorreu em Alvorada, e que prosseguiu com suposto triplo homicídio, mas que até agora só foi localizado o corpo de um jovem boiando nas águas do Guaíba. A moradora disse que a situação está “complicada” e revelou que escutou diversos disparos de arma de fogo durante a madrugada. Com medo, ela afirmou que todos estão sendo monitorados pelos traficantes. “Tenho muito medo de falar. Há poucos dias um rapaz foi morto por passar informações para um repórter. Deram muitos tiros em sua boca.”
Ontem a Unidade de Saúde da Família (UBS) da Ilha dos Marinheiros ficou fechada à tarde. Um cartaz anunciada que as consultas marcadas para ontem serão remarcadas. Já alunos da Escola de Educação Infantil Tia Jussara foram liberados mais cedo na tarde de ontem.
Traficantes anunciam suposto toque de recolher na Ilha dos Marinheiros
Após reforçar policiamento, Brigada Militar nega ameaças a moradores