Polícia

Três pessoas morrem em hospital do DF após receberem aplicação de substância tóxica na veia

Três técnicos de enfermagem são suspeitos das mortes no Hospital Anchieta

João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Moreira, de 33, e Miranilde Pereira da Silva, de 75, morreram na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, no Distrito Federal, depois de terem supostamente recebido substâncias na veia que teriam sido aplicadas por três técnicos de enfermagem.

As mortes ocorreram entre novembro e dezembro do ano passado. As três vítimas eram servidores públicos de diferentes instituições. João era supervisor de manutenção na Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal).

Marcos trabalhava nos Correios e era morador de Brazlândia. O Sintect-DF (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal) lamentou a morte.

“É com pesar que o Sintect-DF comunica o falecimento do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, trabalhador dos Correios lotado no CDD Brazlândia. Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor”, escreveu.

A terceira vítima era a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva. Segundo o Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal), Miranilde atuou na Regional de Ensino de Ceilândia.

Investigações

A Polícia Civil investiga três profissionais suspeitos de envolvimento na morte dos pacientes. Em um dos casos, o técnico teria injetado desinfetante na veia da paciente.

Na semana passada, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva foram presos durante a operação Anúbis, deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com o apoio do DPE (Departamento de Polícia Especializada).

Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Águas Lindas (GO).

Responsável pelo caso, o delegado Mauricio Iacozilli, da Coordenação de Repressão a Homicídio e de Proteção à Pessoa, um dos investigados também trabalhava em uma UTI neonatal.

“Corremos com a investigação porque o autor principal, além de trabalhar nesse hospital, trabalhava também em uma UTI neonatal. Então, ficamos muito preocupados que ele pudesse agir contra bebês e crianças”, afirmou em entrevista à Record

O que dizem os sindicatos

O Sindate-DF (Sindicato dos Técnicos de Enfermagem) lamentou o caso e disse que presta apoio aos familiares dos pacientes do Hospital Anchieta.

“O sindicato se coloca à disposição para prestar o apoio necessário, respeitando os limites legais e institucionais de sua atuação. Ressaltamos que o caso encontra-se sob investigação pelas autoridades competentes, não sendo possível qualquer posicionamento conclusivo neste momento”, disse o sindicato.

O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem) afirmou que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis dentro da competência da instituição.

“O caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos”, ressaltou.