Polícia

Trio é condenado por ataque à casa errada em tentativa de execução ligada ao tráfico em Vacaria

Homem foi baleado e adolescente de 15 anos ficou com sequelas permanentes após levar 12 tiros; mandante foi condenado a 22 anos e MPRS pede aumento de pena

Três homens foram condenados pelo Tribunal do Júri em Vacaria, no Nordeste do Estado, por duas tentativas de homicídio após uma execução ligada a disputas do tráfico de drogas, que terminou com um adolescente e um homem, que não tinham relação com o crime, gravemente feridos. Os executores teriam entrado na casa errada e efetuado ao menos 27 disparos contra os moradores.

O homem apontado como mandante pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foi condenado a 22 anos de reclusão. Os dois executores receberam penas de 12 anos de prisão cada um.

O julgamento começou na segunda-feira e terminou na madrugada desta terça-feira, sob forte esquema de segurança. O MPRS informou que recorrerá para aumento das penas aplicadas, que, segundo a promotoria, não correspondem à gravidade dos crimes cometidos.

Ao comentar a decisão do MPRS de recorrer das penas, o promotor Rafael Graboski dos Santos, de Portão, ressaltou as consequências do ataque para o adolescente.

“Trata-se de uma brutalidade, em que um jovem, vítima de 12 disparos de arma de alto potencial, teve ceifados seus sonhos, pois carrega traumas e sequelas permanentes”, afirmou.

Um quarto homem que havia sido denunciado no processo foi absolvido ao final do julgamento. A decisão ocorreu conforme pedido apresentado pelo próprio MPRS.

O crime

Conforme a denúncia, os três integravam um grupo criminoso e planejavam matar um rival em razão de disputas relacionadas ao tráfico de drogas e ao controle de pontos de venda de entorpecentes em Vacaria. No entanto, os executores teriam errado o endereço e entrado na residência vizinha àquela onde acreditavam que o alvo estava.

No local, foram efetuados ao menos 27 disparos de arma de fogo. O adolescente de 15 anos foi atingido por 12 tiros e ficou com sequelas permanentes. Já o homem de 26 anos foi atingido por dois disparos, mas também sobreviveu. Segundo a investigação, nenhuma das vítimas tinha qualquer relação com a disputa que motivou o ataque.

Segundo a promotora de Justiça de Vacaria, Laís Saboia Souto, o caso evidencia os impactos da violência relacionada ao tráfico sobre moradores de áreas vulneráveis que não têm relação com o crime.

“As pessoas humildes são as maiores vítimas da violência decorrente do tráfico porque não têm recursos para se defender, para morar em outra localidade, se proteger com muros, grades e câmeras”, disse a promotora, que complementou: “Nesse caso, uma disputa de facções criminosas matou o sonho de um guri de jogar futebol e a chance de conquistar uma vida melhor para sua família. Embora tenha sobrevivido, o adolescente ficou com diversas sequelas permanentes decorrentes dos disparos”.