Entre os seis homens presos por suspeita de compartilhamento de conteúdo pornográfico infantil na chamada Deepweb, ou Internet Oculta, três tinham relação profissional com atividades que envolvem crianças. Os suspeitos também abusaram de menores e filmaram atos de pedofilia.
Na operação Darknet, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 51 pessoas foram presas em pelo menos 18 estados e no Distrito Federal, incluindo um seminarista, servidores públicos, policiais e militares. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, os envolvidos no caso são profissionais liberais, todos homens. As prisões ocorreram em Viamão, Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e Sapucaia do Sul.
Um professor de jiu-jitsu está entre os presos por pedofilia. Ele é de Gravataí e já tinha mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. Um auxiliar de enfermagem também está entre os presos em flagrante. Segundo a PF, o homem tinha contato com crianças em uma instituição de saúde não revelada. Além disso, um estudante de matemática, prestes a iniciar um estágio em escola, foi detido pelos agentes policiais em Cachoeirinha.
O superintendente da Polícia Federal, Sandro Caron, disse que ao longo de um ano de investigações, foram reunidas provas suficientes para manter os acusados na cadeia. “Nos munimos de muitas provas, inclusive vídeos compartilhados com a imagem desses presos”, afirmou.
Já o delegado Rafael França explicou que, na Deepweb, meio utilizado pelos pedófilos nesse caso, os criminosos creem não estar sendo monitorados. “Esse é maior medo desses homens. No entanto, temos tecnologia para descobrir as identidades dos usuários”, destacou.
O caso mais chocante revelado pela PF envolve um vigilante de Uberlândia, que pretendia abusar da filha prestes a nascer. Segundo a Polícia, ele admitiu que pretendia cometer o crime. O homem está preso desde fevereiro.
Deep Web
A Deep Web, ou "Internet invisível", é onde está todo o conteúdo não indexado pelos motores de busca padrão. A parte visível da Web seria apenas 30% de toda a Web. A imagem de um iceberg é usada para demonstrar essa proporção. Na Deep Web pode-se navegar no anonimato completo, bastando apenas conhecer os meios de acesso. O espaço torna-se atrativo para criminosos, pedófilos, terroristas, traficantes e assassinos, que ficam uma zona conhecida como Dark Net.
Em todo o mundo, as autoridades policiais buscam identificar, monitorar e acabar com os criminosos que se escondem neste lado obscuro e sombrio da Internet. O FBI e a Interpol têm se dedicado à tarefa. No Brasil, a situação não é diferente. A Polícia Federal (PF) lidera as investigações cibernéticas.
Trio preso no RS em operação contra pedofilia tinha contato com crianças
PF realizou 51 prisões em todo o Brasil, seis delas na Grande Porto Alegre