Nos últimos 28 dias - de meados de março até este mês -, foram apreendidas 14 armas de fogo na zona Leste da Capital. Uma média de um revólver ou pistola a cada dois dias. Foram pegos nesse período oito revólveres calibre .38, dois 32 e um 22, além de uma pistola 9 milímetros. Todas as armas, conforme o comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Alberto Iriart, estavam com a numeração raspada.
O maior índice de confisco do armamento ocorreu nas quatro vilas onde o tráfico de drogas é mais intenso. No entanto, nem todos os revólveres, salientou Iriart, são de traficantes. Alguns são de pessoas que residem no local, mas sem ligação com o tráfico, pois ultimamente a disputa pela hegemonia da venda de entorpecentes teve uma trégua, mesmo que frágil. No mesmo período, foram presas 20 pessoas acusadas desse crime.
Crianças
Com maior frequência traficantes da zona Leste estão recrutando crianças, de 6 a 8 anos, para prestar serviços à quadrilha. Segundo Iriart, moradores da vila já informaram isso aos policiais militares. Esses menores, via de regra, prestam serviço de alerta quando a polícia chega perto de uma das bocas de fumo. Os menores, explicou Iriart, são conduzidos ao Juizado da Infância e da Adolescência.
“Essas crianças são recrutadas para dificultar o trabalho da polícia. Porém o medo das pessoas, impede que se desencadeie uma oposição forte da comunidade em relação a este recrutamento”, disse Iriart. A região de atuação do 19º compreende o Campo da Tuca e vilas Cachorro Sentado, Maria da Conceição e Morro da Cruz, regiões onde a incidência do tráfico de drogas é grande.
Esses menores, quando pegos dificultam ao máximo qualquer tipo de identificação, sendo quase impossível fazer uma conexão com os seus pais. Eles desconversam quando perguntam onde moram, quem é o responsável e assim por diante. Essas crianças, além de avisarem a chegada dos PMs, também, têm a missão de montar barreiras na entrada dos guetos, dificultando a entrada de viaturas ou a saída desta em perseguição aos traficantes.
“Tempos atrás, na Cachorro Sentado, elas (crianças) colocaram entulhos e até uma carroça quebrada, na entrada da vila, criando uma barreira”, contou Iriart.
Outro empecilho para que haja uma repressão mais acentuada ao tráfico é o medo do moradores em denunciar os criminosos, tornando-se reféns das quadrilhas. Além disso, para muitos, explica Iriart, o traficante é uma espécie de “Robin Hood”, preenchendo uma lacuna deixada pelo Estado, prestando favores as pessoas necessitadas, como empréstimo de dinheiro, conseguindo remédios, entre outros.
Uma arma é apreendida a cada dois dias no zona Leste da Capital
Maior índice de confisco ocorreu nas quatro vilas onde o tráfico de drogas é mais intenso