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“Unidos, vamos seguir o legado deles”, dizem filhos de casal morto em queda de avião no Litoral Norte

Feira promovida pela família terá programação mantida no RS após morte dos empresários

Queda da aeronave deixou quatro mortos em Capão da Canoa
Queda da aeronave deixou quatro mortos em Capão da Canoa Foto : Alina Souza

“Unidos, vamos seguir o legado deles”. Foi assim que os filhos do casal de empresários Deborah Belanda Ortolani e Luiz Ortolani resumiram a decisão de dar continuidade à Feira de Ibitinga, evento promovido pela família no Rio Grande do Sul, após a morte dos pais na queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa.

A manifestação foi feita por meio de vídeo publicado nas redes oficiais do evento. No material, os filhos destacam a trajetória construída ao longo de décadas e garantem a manutenção das atividades mesmo diante da perda.

“Obrigado por todas as mensagens maravilhosas que recebemos e o apoio de todo o pessoal envolvido conosco e com nossa empresa já há 30 anos. Estamos passando aqui para informar que a programação da Feira de Ibitinga continua normal”, afirmou Guilherme.

Ele destacou que a estrutura do evento será mantida pelas equipes que já atuavam com os pais. “Nossa equipe e todos os envolvidos, os colaboradores, vamos continuar seguindo o legado dos nossos pais. Temos as programações das feiras em Porto Alegre, Passo Fundo e Caxias do Sul”, disse.

Por fim, buscou tranquilizar o público. “Nossa equipe está 100% preparada, então só queríamos acalmar e tranquilizar nossos clientes. Vocês podem ficar tranquilos que todas essas datas e toda a nossa programação vão acontecer normalmente. Unidos vamos seguir o legado deles, que eles merecem”, completou.

Organizada pelo casal, a feira percorre cidades gaúchas com a comercialização de moda, enxovais, bordados, calçados e acessórios produzidos em Ibitinga, reconhecida nacionalmente pelo setor têxtil.

Além do vídeo, a organização publicou um comunicado reforçando a continuidade das atividades e agradecendo o apoio recebido após o acidente. “Neste momento delicado, queremos também expressar nossa profunda gratidão por todo o apoio, carinho e compreensão que temos recebido. Cada mensagem e gesto de solidariedade têm sido essenciais para nós”, diz trecho da publicação.

O casal está entre as quatro vítimas do acidente aéreo ocorrido na última sexta-feira no Litoral Norte. Também morreram o piloto Nélio Maria Batista Pessanha e o engenheiro de produção Renan Eduardo Dahrouge Saes, sócio-proprietário da empresa dona da aeronave.

Investigações continuam

A queda é investigada em duas frentes distintas. Uma policial, conduzida pela Polícia Civil, e outra técnica, sob responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Marco Swirski, a prioridade neste momento é a análise técnica do acidente. “Já há um inquérito policial instaurado para a apuração dos fatos. Porém, no momento, a prioridade é a apuração técnica do evento, que vai indicar qual causa, ou causas, que levaram ao acidente”, afirmou.

Ele ressaltou que eventuais responsabilizações dependem dessas conclusões. “Somente com os laudos e análises concluídos é que será possível avaliar eventuais responsabilidades penais”, completou.

Ele acrescentou que outras hipóteses seguem em análise. “Pelas câmeras é possível ver que não usou a pista na sua totalidade, mas no momento é impossível afirmar se isso foi causa do acidente”, afirmou.

Conforme a Força Aérea Brasileira, a investigação conduzida pelo Cenipa tem caráter preventivo e não busca apontar culpados, mas identificar fatores que possam ter contribuído para o acidente, com o objetivo de evitar novas ocorrências.

O acidente

A aeronave caiu às 10h38min de sexta-feira, logo após a decolagem. O avião atingiu o restaurante Dom Inácio, na avenida Valdomiro Cândido dos Reis, bairro Santa Luzia. O estabelecimento estava fechado para reformas e não houve vítimas em solo.

De acordo com as apurações preliminares, a aeronave (prefixo PS-RBK, modelo Piper JetPROP DLX) utilizou a taxiway para ingressar na pista, mas não utilizou a cabeceira integralmente, deixando de aproveitar cerca de 150 metros da pista principal.

Em razão disso, o piloto teria tentado ganhar velocidade na área de escape. A hipótese principal é que o avião não atingiu a velocidade de sustentação adequada, resultando na queda. Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), seguem apurando as causas do sinistro.

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