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“O que posso dizer é que o material é extremamente chocante. Eu tive dificuldade para dormir está noite, após ver o material. Ele comprova cabalmente o crime de forma comissiva, além de omissiva, por parte do pai do menino Bernardo. Foi uma perícia que descobriu esse material que estava apagado da memória de um telefone e que prova cabalmente inclusive o envolvimento no delito por parte dos acusados, especialmente, os que tinham poder hierárquico”, afirmou Taborda.
Os vídeos foram gravados em agosto de 2013, um dia antes do dias dos pais, por Leandro e Graciele e mostram Bernardo pedindo ajuda aos berros em uma janela da residência. Em outra cenas, a madrasta afirma que preferia ver o enteado morto do que ter que conviver com ele. Enquanto isso, o pai “bebia uísque”.
“Os gritos de socorro são muito fortes. A questão de ‘vamos ver quem vai primeiro para baixo da terrinha, então?’, é uma fala forte. ‘Tu não sabe do que eu sou capaz’, disse a Graciele no vídeo. ‘Eu posso ficar a vida inteira na cadeia, mas ficar contigo aqui dentro de casa, não vou ficar’. É chocante. É muito chocante e é a prova que faltava para a acusação, para certamente dirigir esse procedimento para o Tribunal do Júri e uma futura condenação”, declarou o advogado. “É um sadismo para ver o sofrimento do menino. O grito é de pavor. Um grito de pânico em uma janela”, completou.
Possivelmente dopado, Bernardo mal conseguia falar
Taborda revela ainda que Bernardo aparece nas imagens como se tivesse ingerido algum tipo de medicamento. “No final, sim (estava dopado). Ele ficou tão grogue que não conseguia falar. A língua enrolava”, revelou o contratado pela avó e assistente de acusação no caso.
O próximo a ser ouvido será um dentista e, na sequência, a audiência será paralisada durante uma hora. No retorno do intervalo, faltará ouvir oito testemunhas de acusação. As 22 de defesa foram dispensadas dos depoimentos desta terça-feira.
Juiz marcará nova audiência para ouvir testemunhas que foram dispensadas e que residem na Comarca de Três Passos. As demais serão ouvidas por carta precatória.
Relembre o caso:
Bernardo, de 11 anos, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos, e teve o corpo encontrado na noite do dia 14, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.
O pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A polícia sustenta a tese de que Graciele e Edelvânia executaram o homicídio usando doses do medicamento Midazolan – a madrasta porque entendia que o menino era um "estorvo" para o relacionamento entre ela e Leandro Boldrini, e Edelvânia em troca de dinheiro, para comprar um apartamento. Ainda segundo a polícia, Boldrini também teve participação na morte fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul. Já Evandro se tornou o quarto réu do caso, pela suspeita de ter ajudado a fazer a cova onde o corpo do menino foi enterrado.