Polícia

Vídeo mostra adolescente sozinho após chacina de família em SP

Menino de 13 anos é suspeito de ter assassinado pais, avó, tia-avó e cometido sucídio

Um vídeo de 36 horas ininterruptas, gravado por uma câmera de segurança de um edifício na Brasilândia, zona norte de São Paulo, mostram o estudante Marcelo Pesseghini, de 13 anos, suspeito de assassinar a família e cometer suicídio, saindo sozinho do carro da mãe próxima ao colégio onde estudava, no dia em que foram mortos quatro membros da família. As imagens são analisadas pela polícia.

O estudante é suspeito de ter matado os pais, o casal de PMs Luiz Marcelo e Andréia Pesseghini, a avó materna, a tia-avó e, depois ter ido à escola, se suicidado. De acordo a polícia, as provas indicam cada vez mais que o adolescente é autor dos crimes.

A investigação aponta que ele teria matado a família na noite do dia 5 de agosto ou no início da madrugada do dia 6, dirigido o carro da mãe de madrugada até oa escola e assistido a aula normalmente. Em seguida, o estudante voltou de carona com o pai de um amigo e se matou.

Na última segunda-feira, segundo agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foram ouvidos os depoimentos mais convincentes dessa tese: três colegas do garoto, que disseram que ele confessou ter matado os pais. Os adolescentes, da faixa de 13 anos, estavam acompanhados dos pais e advogados. Alguns até choraram.

Conforme pessoas presentes, eles deram detalhes que revelaram uma outra face do menino, que no início foi descrito por professores e vizinhos como um bom filho. Os colegas disseram que não acreditaram quando a amigo afirmou que matou os pais. Eles também contaram que o colega evitava mostrar a mochila. Na data do crime, ele não levou material escolar.

A mochila foi apreendida pela polícia e conteria dinheiro, cartão de crédito, papel higiênico e perfume - supostamente para plano de fuga. Para a Polícia Civil, falta somente a chegada dos laudos para o caso ser encerrado. De acordo com o delegado do DHPP Itagiba Franco, os laudos dos Institutos Médico-Legal (IML) e de Criminalística (IC) ficarão prontos na próxima semana.

Ontem, Franco ouviu mais uma testemunha. Outro depoimento considerado importante, o da médica de Marcelo Pesseghini, Neiva Damaceno, está programado para esta quinta-feira. Por causa de uma doença degenerativa (fibrose cística), a profissional acompanhava o menino desde que ele tinha 1 ano. Cerca de 35 testemunhas já prestaram depoimento sobre o caso.

Perfil

Franco ainda pediu um parecer do psiquiatra forense Guido Palomba para traçar um perfil psicológico do garoto. Até agora, Palomba só acompanhou a investigação pelo noticiário, mas ainda deverá ler todos os depoimentos e entrevistar as testemunhas que possam confirmar que o menino sofria de alguma anormalidade mental.

Segundo o psiquiatra, os fatores que poderiam ter contribuído para o ataque seriam a estrutura familiar, a fibrose cística (doença degenerativa de que ele era portador), remédios, desenvolvimento mental incompleto (por causa da idade) e algum aborrecimento na data do crime. "Os depoimentos dão subsídios iniciais, mas poderemos ter estudos complementares, dependendo do que for identificado", disse.

O psiquiatra pretende ouvir a médica do garoto. Segundo o perito, a especialidade dela não permite diagnosticar se o estudante sofria de algum transtorno psiquiátrico e, por isso, Palomba quer colher informações dela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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