Polícia

Vídeo mostra operação que prendeu 28 por tráfico de drogas no RS

Quadrilha operava com estrutura "empresarial", com distinção de cargos e tarefas

Quadrilha debochou das autoridades ao pichar o apelido do líder na parede do Foro Regional da Restinga
Quadrilha debochou das autoridades ao pichar o apelido do líder na parede do Foro Regional da Restinga Foto : Youtube / Reprodução / CP
O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil divulgou vídeo da ação que foi desencadeada ao amanhecer desta sexta-feira. A operação Atrium ocorreu sob comando do delegado Thiago Lacerda, no bairro Restinga, em Porto Alegre. Hoje foram presas 17 pessoas, mas ao longo dos dez meses de investigação foram 28 prisões. O objetivo da ação coordenada pelo delegado Maurício Barison foi desarticular uma quadrilha de tráfico de drogas que debochou até das autoridades ao pichar o apelido do líder, que está no sistema prisional, na parede do Foro Regional da Restinga. A pichação foi apagada pelos próprios agentes como uma resposta à zombaria dos criminosos cuja base ficava na mesma rua do prédio do Judiciário, distante cerca de duas quadras.

Na operação foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e outros 15 mandados de prisão, inclusive em Viamão. Os agentes apreenderam mais de 100 porções de cocaína, crack e maconha; quatro revólveres; farta munição; carregador; dinheiro, um radiocomunicador e dois veículos, uma BMW e um Fiat Linea, que foram sequestrados judicialmente. Um pé de maconha, com 45 centímetros de altura, também foi recolhido. A presença da planta em um vaso tem sido um estratagema utilizado pelos traficantes para fingirem que são apenas usuários de drogas em caso de uma ação policial.

Segundo o delegado Thiago Lacerda, a quadrilha operava com uma estrutura “empresarial”, com distinção de cargos e tarefas. A organização possuía três células direcionadas separadamente para o controle e venda de crack, cocaína e maconha. Um quilo de crack, por exemplo, poderia render em torno de R$ 50 mil. “Os líderes da organização criminosa não participavam diretamente das vendas para não se colocarem em situação de flagrante” constatou.

Já o delegado Maurício Barison destacou que as mulheres dos líderes atuavam ativamente da organização, cuidando por exemplo da contabilidade, segurança, logística e gerenciamento, entre outras funções dentro da organização. Nas investigações, os agentes do Denarc descobriram que moradores, sem antecedentes criminais e qualquer suspeita contra si, recebiam dinheiro para armazenar e esconder drogas, armas e dinheiro dos traficantes.