Polícia

"Vídeos e fotos provam o estupro", diz delegada

Responsável por investigar caso garante que houve abuso sexual apesar do laudo não comprovar violência

Responsável por investigar caso garante que houve estupro apesar de laudo no comprovar violência
Responsável por investigar caso garante que houve estupro apesar de laudo no comprovar violência Foto : Tomaz Silva / Agência Brasil / CP
Responsável pela investigação do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos no Morro da Barão, na zona oeste do Rio, a titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Cristiana Onorato Bento, disse não ter dúvidas de que o crime aconteceu. Segundo ela, as imagens da jovem registradas em vídeo e divulgadas nas redes sociais são provas de que houve estupro praticado por, pelo menos, três pessoas.

"Houve estupro coletivo, mas quantas pessoas praticaram? Houve estupro, quero descobrir a extensão", afirmou a delegada, em entrevista coletiva ao lado do chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso e outros policiais que acompanham o caso.



Veloso afirmou que "não há provas tão robustas" de que o crime teria sido cometido por mais de 30 homens, mas que a polícia continua a buscar elementos que possam comprovar o que foi dito pela própria vítima e por um homem que aparece no vídeo divulgado na internet.

A jovem disse para a polícia que foi atacada por 33 homens e que muitos deles estavam armados. A delegada da DCAV disse que, em casos de violência sexual, o depoimento da vítima tem peso muito grande.

"Nos crimes sexuais, a palavra da vítima tem muita importância porque o crime acontece entre quatro paredes. A palavra da vítima tem influência muito maior. Essa menina foi vítima de violência sexual e de divulgação das imagens", afirmou a delegada.

Segundo a titular da DCAV, o fato de pelo menos um homem ter tocado as partes íntimas da vítima, o que é registrado no vídeo, com a presença de outros dois cúmplices, é a prova de estupro
coletivo praticado por pelo menos três.

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A declaração da delegada ocorre após o laudo da perícia feita pelo Instituto Médico Legal (IML) na jovem não conseguir comprovar o estupro. A perita legista do IML, Adriane Rego, no entanto, destacou que a demora na realização do exame prejudicou o resultado. “O fato de o laudo não provar que houve o estupro não garante que não aconteceu”, afirmou Adriane.

Como o inquérito corre em segredo de Justiça pela vítima ser menor de idade, a legista ressaltou que não pode dar detalhes sobre a perícia. Adriane Rego afirmou ainda que o exame não pode comprovar quantos homens tiveram relação com a vítima. “Esse tipo de prova de quanto fizeram o abuso dependem de elementos de DNA, que se perdem com o passar do tempo”, apontou.