O vigilante Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, que mantinha a ex-mulher em cárcere privado desde às 23h da última sexta-feira afirmou, em depoimento na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Canoas, que pretendia se entregar durante todo o sequestro, de quase 70 horas, mas que tinha medo de ser ferido por policiais.
Segundo ele, sua ex-mulher, a operária Josiane Pontes, de 29 anos, aconselhou que ele não se entregasse, por temer agressões. As informações são do delegado Luiz Francisco Pires ao repórter Bernardo Armani, da Rede Record. O delegado negou ainda que Luz tivesse tomado qualquer tipo de remédio para se manter acordado durante o período.
O vigilante também teria negado que tivesse qualquer intenção de ferir alguém, mesmo estando armado com um revólver calibre .38. Ele alegou que sua única intenção era se reconciliar com a ex-mulher. A rendição aconteceu às 20h24min desta segunda-feira.
A mulher deixou a residência primeiro. Ela foi amparada por policiais e levada em uma ambulância ao Hospital Nossa Senhora das Graças, onde foi atendida. Luz deixou o local logo depois. Ele foi algemado por policiais levado à DPPA, onde prestou depoimento. Em seguida, foi encaminhado ao Presídio Central. O vigilante responderá pelos crimes de receptação de veículo, tentativa de homicídio, cárcere privado e porte ilegal de arma.
O fim do sequestro aconteceu depois que a Brigada Militar conseguiu estabelecer uma relação de confiança com o vigilante. Por quase 70 horas, as negociações evoluíram e retrocederam, até o desfecho pacífico. Familiares ajudaram na rendição de Luz.
Cárcere privado
O drama começou quando Luz entrou na residência onde a vítima estava com os dois filhos do casal. Armado com um revólver calibre .38, ele fez a família refém, além de ter desferido um tiro, ainda na noite de sexta, no cunhado que iria pegar a sua moto, estacionada em frente à casa. O disparo acertou de raspão o homem. Luz alegou, em depoimento, que o tiro foi acidental.
O vigilante liberou os dois filhos do casal, uma menina de 8 anos e um menino de 11, no começo da manhã de sábado. Ao longo do fim-de semana, amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além de uma psiquiatra, que garantiu a ele tratamento quando saísse. O filho do casal também voltou a entrar em contato com o pai, sem conseguir dissuadi-lo do sequestro.
Um dos compadres de Luz recebeu ligações frequentes do vigilante. Para ele, revelava suas angústias e pedia conselhos. "Eu estou tentando apaziguar a situação. Acho que vai dar certo", disse o amigo de dez anos, no domingo.
Vítima teria pedido que vigilante não se entregasse
Josiane Pontes, mantida como refém, temia que o ex-marido fosse ferido por policiais