Polícia

Valores apreendidos comprovam lavagem de dinheiro, diz PF

Para Gasparetto, Banrisul é a maior vítima da quadrilha que desviava dinheiro do marketing

Em entrevista coletiva, PF afirmou que valores apreendidos comprovam lavagem de dinheiro
Em entrevista coletiva, PF afirmou que valores apreendidos comprovam lavagem de dinheiro Foto : Camila Domingues / CP
O Superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto, garantiu que os valores apreendidos até agora pela força-tarefa que investiga desvios de recursos da área de marketing do Banrisul indicam lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida na sede da Polícia Federal, em Porto Alegre. Os investigadores acreditam que R$ 10 milhões tenham sido desviados do banco pela quadrilha nos últimos 18 meses.

O esquema, revelado na manhã desta quinta-feira, se daria através de superfaturamento na produção de ações de marketing contratadas pelas agências de publicidade DCS e SLM, que terceirizavam o serviço subcontratando os reais executores a preços muito menores do que os cobrados do banco. Conforme Gasparetto, só hoje, durante os 11 mandados de busca em apreensão cumpridos pela Polícia Federal, cerca de R$ 2 milhões foram apreendidos. Foram presos o superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg, e os representantes das agênciasGilson Stork, da SLM, e Armando D'Elia Neto, da DCS.

Ildo Gasparetto garantiu ainda que o Banrisul é a maior vítima da quadrilha que desviou recursos da área de marketing da instituição.“A quadrilha era formada por funcionários públicos e privados que retiravam dinheiro do banco para usar de maneira particular”, disse o delegado.

De acordo com Gasparetto, a investigação começou através da denúncia de um das pessoas envolvidas ao Ministério Público Estadual. Conforme ele, a Polícia Federal entrou na investigação quando passou a ser verificados crimes federais como evasão de divisas e lavagem de dinheiro entre as ações da quadrilha. “Uma das pessoas detidas hoje foi presa por evasão de divisas há 60 dias no aeroporto de São Paulo com uma certa quantia de dólares”, afirmou 

Gasparetto afirmou que, por enquanto, desconhece o destino que era dado ao dinheiro desviado. “Nas buscas que realizamos hoje de manhã, recolhemos documentos e computadores. Todo esse material apreendido será analisado. Caso haja a utilização para fim eleitoral, encaminharemos aos responsáveis para que investiguem”, disse.

O superintendente também mandou um recado para quem acredita que a ação tenha cunho eleitoral. Nesta quinta, a governadora Yeda Crusius postou em seu perfil no twitter estranhar que a operação seja realizada há poucos dias das eleições. “Não é porque estamos há um mês das eleições que a Polícia Federal vai parar de trabalhar. Se tem gente que acha que vai usar isso como defesa, não vai chegar a lugar nenhum”, disse Gasparetto.


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