Polícia

Vigilante está muito abalado e se diz arrependido, diz advogado

Valdir Jung foi contratado por Rodrigo Luz para atuar no caso

Vigilante está muito abalado, segundo advogado
Vigilante está muito abalado, segundo advogado Foto : Carla Ruas
O advogado Valdir Jung esteve reunido no Presídio Central em Porto Alegre com o vigilante Rodrigo Luciano Luz, 32 anos, que manteve ex-mulher como refém por quase 70 horas em Canoas. Segundo Jung, Luz o contratou para atuar no caso. Durante a conversa nesta quarta-feira, o advogado afirmou que o cliente está muito abalado. "Ele está apavorado e pediu que procurasse a família dele", disse.

Jung falou sobre o aspecto emocional de Luz. "Tive dificuldades para conversar, pois ele chora muito e diz estar arrependido", afirmou. Nesta tarde, o advogado requisitará ao Judiciário a liberdade provisória do vigilante para que ele volte a ter acompanhamento psicológico em uma clínica especializada. "Já obtive documentos que comprovam que ele fez tratamento anteriormente", assinalou.

O advogado entrou no caso por solicitação do delegado Luiz Francisco Pires, que pediu a ele para acompanhar a lavratura do auto de prisão em flagrante e o interrogatório do acusado. Jung solicitou à Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) para que ele seja mantido isolado da massa carcerária. "Prefiro que fique só, pois as consequências podem ser piores caso seja encaminhado para uma cela coletiva", frisou.

Ex-mulher será ouvida hoje

Nesta tarde, a titular da Delegacia da Mulher de Canoas, delegada Kátia Reinheimer, deverá interrogar a ex-mulher do vigilante. Até sexta-feira, outras pessoas, entre familiares e amigos, serão igualmente convidados a prestar esclarecimentos sobre os fatos. A delegada pretende finalizar o inquérito e remetê-lo ao Judiciário ainda neste mês. Ela aguarda para as primeiras horas da tarde o envio do auto de prisão em flagrante do vigilante, inclusive com cópia das declarações prestadas por ele após a rendição, às 20h30min de segunda-feira.

O vigilante manteve a ex-mulher sob a mira de um revólver calibre 38 na casa onde residiam quando eram casados, na rua 11, bairro Guajuviras, em Canoas. Durante quase 70 horas, dois negociadores da BM se revezaram conversando com Luz, mantendo contatos telefônicos em horários regulares, não dando chance para que ele adormecesse. O homem foi indiciado por receptação de veículo, tentativa de homicídio, cárcere privado e porte ilegal de arma.

Jimmy Azevedo/Rádio Guaíba e Luciamem Winck/Correio do Povo