Polícia

Vigilante que sequestrou ex-mulher está sem sono

Grupo de Ações Táticas Especiais da Brigada Militar descarta invadir a residência

Amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além de uma psiquiatra, que garantiu a ele tratamento
Amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além de uma psiquiatra, que garantiu a ele tratamento Foto : Antônio Sobral
O vigilante Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, que mantém sua ex-mulher, a operária Josiane Pontes, de 29 anos, em cárcere privado desde às 23h da última sexta-feira, em Canoas, não apresenta sinais de cansaço ou sono, de acordo com o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato. “Ele está acostumado a ficar bastante tempo acordado, trabalha como vigia. A Brigada ainda tem muito tempo para negociar”, afirmou, sem definir uma previsão de liberação da vítima.

Luz segue armado, mas não aponta mais a arma para a ex-mulher nem faz ameaças. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) descarta invadir a residência. O casal está se alimentando e o vigilante  já ensaiou uma rendição duas vezes, nas noites de sábado e domingo.

Calixtrato afirmou que a situação é delicada porque, há dois dias sem dormir, Luz pode estar com cansaço físico e mental extremo, a ponto de cometer uma atitude precipitada. “Ele precisa sentir que está seguro para sair. Ele já refletiu, já conversamos. Ele sabe que está errado, só preza por sua segurança”, explicou.

O drama começou quando Luz entrou na residência em que a vítima estava com os dois filhos do casal, no bairro Guajuviras. Armado com um revólver calibre 38, ele fez a família refém e desferiu um tiro de raspão contra o cunhado. O vigilante liberou os dois filhos do casal, uma menina de 8 anos e um menino de 11, no começo da manhã de sábado.

Ao longo do fim-de semana, amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além de uma psiquiatra, que garantiu a ele tratamento quando saísse da casa. O filho do casal também retomou o contato com o pai, sem conseguir dissuadi-lo do sequestro.

Um dos compadres de Luz recebeu ligações frequentes do vigilante. Para ele, revelava suas angústias e pedia conselhos. "Eu estou tentando apaziguar a situação. Acho que vai dar certo", disse o amigo de dez anos, no domingo.

Jimmy Azevedo/Rádio Guaíba
Ronan Dannenberg/Correio do Povo