Polícia

Vigilante quer garantia de que não será morto para se entregar

Cárcere privado já supera 40 horas em Canoas

Caso de cárcere privado em Canoas já se estende por quase dois dias
Caso de cárcere privado em Canoas já se estende por quase dois dias Foto : Antonio Sobral / CP
Rodrigo Luciano Luz estaria disposto a se entregar, depois de manter como refém por mais de 40 horas a ex-mulher Josiane Pontes. Os dois estão trancados na casa de Josiane, no bairro Guajuviras, em Canoas. Para isso, quer garantias de que não será ferido ou morto pela Polícia.

“Ele está mais tranquilo. Estamos tentando tirar o medo que ele tem. Acha que algo pode acontecer quando sair da casa”, explicou o subcomandante da Brigada Militar, o coronel Jones Calixtrato.

O coronel considera a situação ainda bastante crítica, mas demonstra otimismo nas negociações.

Na longa vigília que policiais, familiares e imprensa - além de curiosos - viveram, desde o final da noite de sexta-feira, quando Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, inconformado com o fim do casamento tomou sua ex-mulher Josiane Pontes, de 29 anos, como refém, houve momentos de grande tensão.

Um desses ocorreu por volta das 18h de sábado, quando Luz teria ficado sabendo que uma equipe de agentes do 15º Batalhão da Brigada Militar e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) estava no local. Apavorado, ele perdeu o controle e afirmou - ao telefone para o negociador - ter engatilhado sua arma, um revólver possivelmente 38, e apontado contra o peito de Josiane, dizendo que a mataria caso ouvisse qualquer barulho diferente no telhado ou no jardim. Os agentes, então, recuaram, e tentaram acalmá-lo com as negociações.

Em meio ao descontrole emocional que Luz aparentava, os policiais continuaram trabalhando por uma rendição pacífica, como forma de preservar a vida do casal. Amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além da sua psiquiatra, que garantiu a ele tratamento quando saísse. O filho do casal, um menino de 11 anos, também voltou a entrar em contato com o pai após ter passado aproximadamente sete horas no confinamento e sido liberado na manhã de sábado, junto com a irmã. O garoto, ao celular, pediu que o pai saísse e abanou para Luz do portão da casa, mostrando com a ingenuidade de uma criança, mas com a seriedade que a situação exigia, a importância de que o pai revisse a sua atitude. Frente ao apelo, se criou a expectativa de que o vigilante se renderia, o que não ocorreu, decepcionando os que torciam para um desfecho sem tanto trauma.

Um dos compadres de Luz, que foi seu colega de trabalho e companheiro de igreja, recebia ligações frequentes do vigilante. Para ele, revelava suas angústias e pedia conselhos. Pelas 17h, logo após ter conversado com o vigilante, o compadre contou que ele estava mais calmo, mas que ainda tinha medo de sair por causa da polícia. "Eu estou tentando apaziguar a situação. Acho que vai dar certo", disse o amigo de dez anos.

No entanto, após diversas tratativas, Josiane permanece como refém. No começo da noite de sábado, o número de agentes chegava a 60. Conforme o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato dos Santos, os policiais permanecerão no setor um, quadra C, do bairro Guajuviras, em Canoas, até o término do sequestro.