Polícia

Viúva e BM se manifestam após MPRS pedir que corporação aprofunde investigações no caso do agricultor de Pelotas

Conclusão do Inquérito Policial Militar foi divulgada em março

Marcos Daniel Nörnberg foi morto durante ação da Brigada Militar ocorrida na madrugada de 15 de janeiro
Marcos Daniel Nörnberg foi morto durante ação da Brigada Militar ocorrida na madrugada de 15 de janeiro Foto : Reprodução / Redes Sociais / CP

O Ministério Público (MPRS) divulgou que, por meio da 2ª Promotoria de Justiça Militar, identificou indícios de abuso de autoridade por parte de oficiais da Brigada Militar (BM), durante a ocorrência que resultou na morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, na madrugada de 15 de janeiro, em Pelotas. Na oportunidade, os policiais militares buscavam suspeitos de integrarem uma quadrilha.

Segundo o MPRS, há elementos que configuram tortura psicológica contra a esposa de Nörnberg e requereu o aprofundamento das investigações pela própria BM antes de eventual oferecimento de denúncia. A operação realizada por oito PMs, está sob segredo de Justiça. Segundo a promotora Anelise Haertel Grehs, que solicitou novas diligências no Inquérito Policial Militar (IPM) há "fortes indícios de abuso de autoridade" por parte dos oficiais que coordenaram a ação. Ela também aponta a existência de elementos que sugerem a prática de tortura psicológica contra a viúva da vítima. A decisão sobre a realização das diligências cabe à Justiça Militar do Estado.

A Brigada Militar disse, por meio de nota, que o pedido de novas diligências formulado pelo MPRS insere-se no âmbito de sua atribuição constitucional, não cabendo à corporação tecer manifestações sobre medidas adotadas pelo órgão e sim cumpri-las. A viúva Raquel Motta Nörnberg lembra que a residência foi invadida por PMs armados, sem mandado judicial, durante a madrugada.

"Fui mantida refém, sob extrema violência, por quase duas horas, enquanto mais de 20 disparos de fuzil eram efetuados. Meu marido, foi morto. Diante disso, não podemos aceitar que um caso tão grave seja tratado com superficialidade ou sem o devido rigor investigativo", assinalou.

Ela afirma que recebeu com esperança a manifestação do MPRS. "Reafirmamos nossa confiança nas instituições, mas também deixamos claro que não cessaremos nossa busca por justiça, em todas as esferas, nacionais e internacionais, se necessário", frisou.

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