Polícia

"Vou lutar pelos bons policiais", diz nova chefe de Polícia Civil do Estado do Rio

Marta Rocha substitui Turnowski, que deixou o cargo na manhã desta terça-feira

A nova chefe de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Marta Rocha, disse em entrevista coletiva na noite desta terça-feira na sede da Secretaria Estadual de Segurança Pública, no Centro, que vai fortalecer o treinamento dos policiais e priorizar a eficiência do atendimento policial. Ela, que ainda não tem uma equipe formada, afirmou que vai lutar pelos bons agentes que ainda estão no comando da polícia fluminense. "Eu não me via como uma chefe de polícia, mas vou lutar para fortalecer a academia policial e garantir o treinamento dos policiais. Um policial bem treinado não teme a Corregedoria da Polícia Civil."

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, ressaltou que a escolha de Marta Rocha foi uma unanimidade e que ela contou com o seu total apoio. Segundo ele, uma mulher à frente da Polícia Civil significa uma mudança de paradigma na história das instituições públicas do Rio. "Me sinto honrado e feliz diante da escolha da primeira mulher para chefiar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A Marta está bastante afinada com os horizontes da Secretaria de Segurança Pública."

Beltrame também destacou que Marta Rocha tem a difícil tarefa de substituir Allan Turnowski, deixou o cargo na manhã desta terça-feira. "Marta tem uma história de 29 anos de polícia. Será muito difícil substituir um grande policial, um homem que deixou a sua marca e isso só aumenta a sua responsabilidade."

29 anos na Polícia

Atualmente, Marta ocupava o cargo de diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM), órgão responsável pelas Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAMs). Rocha foi corregedora e subchefe da Polícia Civil em 1999 e passou por várias delegacias. Entre elas, a do Campinho (28º DP), na zona norte, onde atuou no combate às milícias, e a 15ª DP (Gávea), na zona sul, onde ficou responsável pelo inquérito sobre o sequestro do ônibus 174 ocorrido em junho de 2000.

A delegada trabalhou também nas delegacias da praça da Bandeira (18ª DP), de Vila Isabel (20ª DP) e da Ilha do Governador (37ª DP), todas na zona norte, e na delegacia do Leblon (14ª DP), na zona sul. Foi responsável ainda pela implantação da Deat (Delegacia Especial de Atendimento ao Turista).

A nova comandante da polícia presidiu o Cedim (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher), órgão responsável pela formulação de políticas públicas sob a ótica da mulher, que visa a um fortalecimento da cidadania feminina.

Crise na Polícia Civil do Rio

Rocha assume o cargo em meio a uma das maiores crises da instituição, que começou após a deflagração da operação Guilhotina da PF (Polícia Federal), na última sexta-feira, que resultou na prisão de 30 policiais, 20 deles militares e dez civis. Entre os presos está o delegado Carlos Antônio Oliveira, que foi braço direito de Allan Turnowski.

No mesmo dia, após as prisões, Turnowski foi convocado a prestar depoimento na PF na condição de testemunha. Já naquele momento, o próprio Beltrame admitiu que ele não estava garantido no cargo.

A situação de Turnowski ficou insustentável após ele dar início a uma operação na Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), comandada pelo delegado Cláudio Ferraz, um dos homens da confiança de José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança.

As informações são do portal R7.