Política

É preciso superar 'Fla-Flu' entre Dilma e Cunha, diz Aécio

Senador entende que processo de impeachment não deve ser realizado com pressa

Senador disputou as eleições presidenciais com Dilma no ano passado
Senador disputou as eleições presidenciais com Dilma no ano passado Foto : Marcos Oliveira / Agência Senado / CP
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta sexta-feira, ser preciso superar o "Fla-Flu" entre a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e iniciar a discussão, dentro do processo de impeachment aberto na Casa. O senador esteve em Juiz de Fora, em Minas Gerais, para participar de um encontro regional do partido.

"O que temos que fazer é superar o Fla-Flu entre a presidente da República e o presidente da Câmara dos Deputados e discutir: houve crime?", disse Aécio. "A presidente cometeu crime de responsabilidade. Se cometeu tem que responder por isso, ou corremos o risco de criar quase que um salvo conduto para que o presidente da República ou detentores de cargos mais altos possam cometer crimes para se manterem no poder."

O "Fla-Flu" que o parlamentar se refere é o atrito entre o governo e Cunha depois que o presidente da Câmara decidiu abrir o processo de impeachment contra Dilma. O deputado afirma que Dilma mentiu ao dizer que não autorizou barganha política envolvendo a aprovação da CPMF em troca de votos do PT a favor de Cunha no Conselho de Ética, que pode cassar o mandato do parlamentar por quebra de decoro.

Governo do PT acabou

Sobre a possibilidade de haver ou não recesso parlamentar, Aécio afirmou que, inicialmente, a ideia era que a análise do processo do impeachment, fosse feita o mais rápido possível. "Mas percebemos que há um atropelo enorme do governo para que não haja manifestações, para que a população não se inteire do que está acontecendo. Portanto, nossa decisão será tomada na terça-feira juntamente com outros partidos da oposição.

O que há, no momento, são ponderações de movimentos sociais que gostariam de ter mais tempo para acompanhar mais de perto o desdobramento desse processo". Na avaliação do senador, o governo do PT acabou. "Esse é o lado bom da história", disse.