Política

Aécio e Marina trocam elogios e agradecimentos em primeiro encontro oficial

Sustentabilidade é um dos "elos" entre o candidato e a ex-ministra, ambos afirmaram durante evento

Marina disse que união com Aécio foi possível graças ao compromisso programático corajoso assumido pelo candidato  que
Marina disse que união com Aécio foi possível graças ao compromisso programático corajoso assumido pelo candidato que Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
No primeiro evento oficial ao lado de Marina Silva (PSB) após receber o apoio da ex-ministra no segundo turno, o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) reforçou mensagens ligadas à sustentabilidade em seu discurso. "Nenhum avanço será completo sem a sustentabilidade, por isso a nossa parceria", disse, ao se dirigir a Marina.

Aécio Neves citou ainda outros dois pontos: respeito à democracia - momento em que o candidato citou a liberdade de imprensa em uma alfinetada à proposta do PT de regular a mídia - e o avanço de políticas sociais, com institucionalização de programas de renda. "Os programas de transferência de renda não são dádiva, nem favor, são direitos e serão mantidos. As contribuições de Marina foram essenciais para esse foco na inclusão social que vai prevalecer no nosso programa", disse Aécio sem citar nominalmente o Bolsa Família.

O tucano voltou a defender o combate à inflação e retomada do crescimento econômico, com recuperação da credibilidade internacional do País. No início de seu discurso, Aécio fez deferências à ex-ministra. "Esse é o momento mais importante da nossa caminhada." Ele também citou o candidato que morreu em acidente aéreo, Eduardo Campos, e repetiu a mensagem de ser o candidato de um projeto de mudança. "Não sou candidato de um só partido, mas da transformação", afirmou. Ao final ele voltou a agradecer Marina e seu "gesto generoso" de participar de um projeto de construção para o País que fará "valer a pena vencer a eleição".

Marina também fez agradecimentos, a Deus, ao tucano pela forma generosa com que a tratou, e ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), que estava no evento e a quem Marina chamou de pessoa "muito especial". Sobre a parceria com Aécio, Marina disse que foi possível graças ao compromisso programático "corajoso" assumido pelo candidato na carta divulgada no Recife, no último sábado, 11. Ela frisou a importância da sustentabilidade e a possibilidade de ecologia e economia andarem lado a lado. "O desenvolvimento econômico e social com proteção ambiental é essencial no Brasil", disse a ex-ministra. Ela também falou sobre a institucionalização dos programas sociais. "Políticas públicas não podem ser 'fulanizadas' e partidarizadas. Honrar o Bolsa Família é um passo significativo."

Após o encontro com Marina, Aécio afirmou que derrotar o PT da adversária Dilma Rousseff, no próximo dia 26 de outubro nas urnas, é uma empreitada semelhante a que seu avô, o falecido presidente Tancredo Neves, fez há 30 anos, ao construir uma aliança democrática para acabar com a ditadura militar no Brasil.

"Eu participei como um espectador privilegiado ao lado do meu avô (Tancredo) da construção da aliança democrática que tinha um único objetivo, encerrar o ciclo autoritário no Brasil, acabar com a ditadura. Hoje temos um outro desafio, que não é menor do que aquele, que é encerrar este ciclo de governo que aí está e que perdeu as condições de governar o Brasil pelo fracasso na economia e no descompromisso com a ética."

Aécio também comentou sobre o clima belicoso, de vale-tudo, segundo analistas políticos, que está tomando conta dos debates presidenciais neste segundo turno. "Concordo com todos os analistas e lamento profundamente este clima de vale tudo", disse, afirmando que propôs que os debates fossem feitos em torno de temas programáticos. "Mas a estratégia dela (Dilma) ou do seu marqueteiro não foi essa, pretendo continuar apresentando propostas, mas estejam certos que reagirei a todas as ofensas, calúnias e mentiras que transformaram essa eleição na pior, do ponto de vista ético, dos últimos tempos", emendou.

O presidenciável tucano voltou a dizer que essa estratégia é fruto do desespero de seus adversários. "O desespero dos nossos adversários está levando com que eles percam a noção, a sensatez de uma disputa que deveria ser programática. Política não é uma guerra, não pode ser este vale tudo, não pode continuar neste caminho de querer destruir reputações para ganhar eleição, ganhar pra quê?"

E lembrou que a mesma estratégia foi usada no primeiro turno contra o falecido governador Eduardo Campos e contra
Marina Silva. "Só que comigo não, eu vou enfrentar", frisou.

No final da rápida entrevista, Aécio voltou a fazer novamente o que classificou de "convocação" à adversária Dilma Rousseff. "Faço convocação à Dilma para um debate programático. Ninguém destrói alguém e vence (uma eleição), como disse Marina, é preciso vencer as eleições vencendo." No pronunciamento em que selaram oficialmente a união neste segundo turno, Marina disse que "não vale tudo para ganhar uma eleição."