No primeiro evento oficial ao lado de Marina Silva (PSB) após receber o apoio da ex-ministra no segundo turno, o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) reforçou mensagens ligadas à sustentabilidade em seu discurso. "Nenhum avanço será completo sem a sustentabilidade, por isso a nossa parceria", disse, ao se dirigir a Marina.
Aécio Neves citou ainda outros dois pontos: respeito à democracia - momento em que o candidato citou a liberdade de imprensa em uma alfinetada à proposta do PT de regular a mídia - e o avanço de políticas sociais, com institucionalização de programas de renda. "Os programas de transferência de renda não são dádiva, nem favor, são direitos e serão mantidos. As contribuições de Marina foram essenciais para esse foco na inclusão social que vai prevalecer no nosso programa", disse Aécio sem citar nominalmente o Bolsa Família.
O tucano voltou a defender o combate à inflação e retomada do crescimento econômico, com recuperação da credibilidade internacional do País. No início de seu discurso, Aécio fez deferências à ex-ministra. "Esse é o momento mais importante da nossa caminhada." Ele também citou o candidato que morreu em acidente aéreo, Eduardo Campos, e repetiu a mensagem de ser o candidato de um projeto de mudança. "Não sou candidato de um só partido, mas da transformação", afirmou. Ao final ele voltou a agradecer Marina e seu "gesto generoso" de participar de um projeto de construção para o País que fará "valer a pena vencer a eleição".
Marina também fez agradecimentos, a Deus, ao tucano pela forma generosa com que a tratou, e ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), que estava no evento e a quem Marina chamou de pessoa "muito especial". Sobre a parceria com Aécio, Marina disse que foi possível graças ao compromisso programático "corajoso" assumido pelo candidato na carta divulgada no Recife, no último sábado, 11. Ela frisou a importância da sustentabilidade e a possibilidade de ecologia e economia andarem lado a lado. "O desenvolvimento econômico e social com proteção ambiental é essencial no Brasil", disse a ex-ministra. Ela também falou sobre a institucionalização dos programas sociais. "Políticas públicas não podem ser 'fulanizadas' e partidarizadas. Honrar o Bolsa Família é um passo significativo."
Após o encontro com Marina, Aécio afirmou que derrotar o PT da adversária Dilma Rousseff, no próximo dia 26 de outubro nas urnas, é uma empreitada semelhante a que seu avô, o falecido presidente Tancredo Neves, fez há 30 anos, ao construir uma aliança democrática para acabar com a ditadura militar no Brasil.
"Eu participei como um espectador privilegiado ao lado do meu avô (Tancredo) da construção da aliança democrática que tinha um único objetivo, encerrar o ciclo autoritário no Brasil, acabar com a ditadura. Hoje temos um outro desafio, que não é menor do que aquele, que é encerrar este ciclo de governo que aí está e que perdeu as condições de governar o Brasil pelo fracasso na economia e no descompromisso com a ética."
Aécio também comentou sobre o clima belicoso, de vale-tudo, segundo analistas políticos, que está tomando conta dos debates presidenciais neste segundo turno. "Concordo com todos os analistas e lamento profundamente este clima de vale tudo", disse, afirmando que propôs que os debates fossem feitos em torno de temas programáticos. "Mas a estratégia dela (Dilma) ou do seu marqueteiro não foi essa, pretendo continuar apresentando propostas, mas estejam certos que reagirei a todas as ofensas, calúnias e mentiras que transformaram essa eleição na pior, do ponto de vista ético, dos últimos tempos", emendou.
O presidenciável tucano voltou a dizer que essa estratégia é fruto do desespero de seus adversários. "O desespero dos nossos adversários está levando com que eles percam a noção, a sensatez de uma disputa que deveria ser programática. Política não é uma guerra, não pode ser este vale tudo, não pode continuar neste caminho de querer destruir reputações para ganhar eleição, ganhar pra quê?"
E lembrou que a mesma estratégia foi usada no primeiro turno contra o falecido governador Eduardo Campos e contra
Marina Silva. "Só que comigo não, eu vou enfrentar", frisou.
No final da rápida entrevista, Aécio voltou a fazer novamente o que classificou de "convocação" à adversária Dilma Rousseff. "Faço convocação à Dilma para um debate programático. Ninguém destrói alguém e vence (uma eleição), como disse Marina, é preciso vencer as eleições vencendo." No pronunciamento em que selaram oficialmente a união neste segundo turno, Marina disse que "não vale tudo para ganhar uma eleição."
Aécio e Marina trocam elogios e agradecimentos em primeiro encontro oficial
Sustentabilidade é um dos "elos" entre o candidato e a ex-ministra, ambos afirmaram durante evento