Política

"A água está batendo no pescoço", diz Fortunati

Prefeito de Porto Alegre afirmou que arrecadação caiu e que terá que cortar orçamento

Dificuldades financeiras farão o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), cortar o orçamento da Capital nos próximos meses. Um grupo de quatro secretários analisa as finanças municipais e apresentará, em 15 dias, um relatório sobre as áreas que sofreram os maiores cortes.

De acordo com Fortunati, os secretários manterão os gastos apenas de saúde, educação e assistência social. "A água está batendo no pescoço dos prefeitos de todo o país, Temos ainda estagnação da economia que nos preocupa. Para lidar com esse cenário não estamos ampliando os serviços mas cortando investimentos", revelou.

Fortunati queixou-se do aumento das responsabilidades das prefeituras frente a queda de repasses federais causados pela política de recuperação econômica. "A situação financeira e orçamentária dos municípios têm piorado em relação a 2012 de forma sensível. Houve uma retração na arrecadação, só o Fundo de Participação dos Municípios diminuiu 11,1%, ainda sem considerarmos a inflação", declarou.

O prefeito revelou que tentará minimizar os impactos da redução de verbas: "Nenhum corte é positivo para a gestão, mas é algo que tem que ser feito. Teremos de fazer mais com o mesmo. Em algumas áreas, os secretários já estão sabendo que vão ter que abrir mão de novas obras".

Municípios relatam situação grave

A diminuição dos recursos das prefeituras, que agora afeta Porto Alegre, já havia sido antecipado por entidades municipalistas gaúchas. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, a estimativa de repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de janeiro a setembro deste ano é R$ 700 milhões a menos do que em 2012. "É questão nacional muito grave. Mesmo no Rio Grande do Sul, que é melhor organizado do ponto de vista fiscal, a situação também é delicada," disse Ziulkoski.

De acordo com Valdir Andres, presidente da Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs), vários prefeitos procuraram a entidade, nas últimas semanas, para relatar a gravidade da situação financeiras dos municípios no Estado. "Tem prefeito me dizendo que vai ter que manter só a coleta de lixo, todo o resto vai parar por falta de recursos. É uma das piores crises do municipalismo", afirmou.

Andres disse ainda que se não houver mudança nos critérios do FPM, que para 80% dos municípios é a principal fonte de arrecadação, muitos prefeitos terão dificuldades para pagar o 13º do salário.

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