Política

“A união pelo Rio Grande deve ser nosso slogan e a nossa marca”, diz presidente da Fiergs

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul apresentou o documento “Pleitos da Indústria Gaúcha para a Reconstrução do RS”

Claudio Affonso Amoretti Bier (E) é o novo presidente da Fiergs que assume após a gestão de Gilberto Porcello Petry (D)
Claudio Affonso Amoretti Bier (E) é o novo presidente da Fiergs que assume após a gestão de Gilberto Porcello Petry (D) Foto : Pedro Piegas

Durante reunião-almoço realizado na Associação Leopoldina Juvenil, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) apresentou, nesta segunda-feira, o documento Pleitos da Indústria Gaúcha para a Reconstrução do Rio Grande do Sul.

Antes de apresentar o documento, o presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, destacou o Movimento Produto RS, desenvolvido em 2023, ao lado dos Sindicatos Industriais filiados à entidade. Tinha como meta reposicionar o produto gaúcho no mercado nacional. Com as enchentes de maio, a campanha foi remodelada e tem como foco na Economia Solidária. A intenção é estimular o consumo de produtos da indústria gaúcha, para fortalecer a economia, garantir empregos e gerar renda para contribuir para a reconstrução do Estado.

Petry também lembrou de uma reunião realizada em dezembro de 2023 que tratou sobre a reconstrução da economia das cidades atingidas, primeiro pela estiagem e depois pelas fortes enchentes. E fez questão de ressaltar que uma enchente devastadora, como aconteceu em maio, nunca foi imaginada. Ele destacou pontos do seu discurso, à época, que ressaltava a necessidade das prefeituras terem uma abordagem antecipatória as crises, não apenas reativa.

Sobre o documento “Pleitos da Indústria Gaúcha para a Reconstrução do Rio Grande do Sul”, Petry ressaltou que o material já foi entregue para os representantes dos governos federal e estadual. E agora, as indústrias gaúchas contam com “a capacidade de articulação de todos os parlamentares”.

Entre as propostas do documento, Petry destacou as que são urgentes, para este momento atual:

  • Acesso rápido e fácil a crédito, sem burocracia, com taxas subsidiadas a empresas de todos os portes, sem restrição de faturamento, dispensando a validade dos documentos obrigatórios (certidões, etc.), tanto para contratação de crédito, quanto para prorrogações, conforme medidas adotadas durante a pandemia da COVID – 19.
  • Programa emergencial de manutenção do emprego e da renda. Para ajudar o Rio Grande do Sul no enfrentamento das consequências da calamidade pública no âmbito das relações de trabalho.
  • Isenção de tributos por 36 meses. Para que as indústrias gaúchas possam retomar as suas atividades, manter os postos de trabalho e eventualmente atingir um crescimento econômico.
  • Recurso para à reconstrução e readequação das estradas e pontes atingidas. Disponibilização imediata de R$ 7 bilhões, via mobilização entre Congresso Nacional e Poder Executivo.
  • Flexibilização da exigência do vale-pedágio. Permitir que possa ser adiantado por meio de pagamento via pix ou transferência bancária, por prazo indeterminado, enquanto perdurar o decreto de calamidade pública no Rio Grande do Sul.
  • Suspensão da cobrança da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA) – IBAMA. No período em que prevalecer o estado de calamidade pública.

Petry considera urgente a retomada das operações do Aeroporto Salgado Filho, afirmando que o prazo de sete meses é inadmissível. “O RS tem pressa e sem a recuperação da indústria, o tempo de retomada será maior".

O presidente também destacou as ações que estão sendo realizadas pelo país em homenagem ao Estado, antes de apresentar formalmente o presidente eleito para a gestão 2024-2027, Claudio Affonso Amoretti Bier a quem caberá dar curso às ações.

Bier destacou a necessidade de uma grande sintonia entre as bancadas gaúchas. E que o documento foi construído coletivamente. “Posso dizer que é a mais importante bandeira dos últimos anos. Temos nas mãos o maior desafio das nossas vidas que é reconstruir praticamente todo o Estado gaúcho e manter os empregos”, afirmou, considerando que “a união pelo Rio Grande deve ser nosso slogan e a nossa marca”.

Legislativo seguirá atuante

O presidente da Assembleia do RS, o deputado Adolfo Brito, falou da esperança de todos para a reconstrução do Estado. E afirmou, emocionado, que nunca antes na história do RS uma união como essa, apresentada durante essa crise, foi vista. Brito destacou a mudança no regimento interno da casa legislativa gaúcha para a votação imediata de todos os projetos que tratavam da reconstrução do Estado.

Citou o projeto de habitação do governo Estadual, aprovado na semana passada, e a nova Secretaria da Reconstrução Gaúcha. Também afirmou que a Assembleia vai continuar dando celeridade na votação de todos os projetos destinados a reconstrução do Estado.

Finalizando, o presidente da Assembleia definiu os obstáculos como momentâneos e disse que prevê um prazo entre dois e três anos para a reconstrução do Rio Grande do Sul.

“A Assembleia esta atenta e vai continuar acompanhando a reconstrução. Os recursos têm que ser buscados, mas vamos fazer a nossa parte”, disse lembrando que os 55 deputados estiveram presentes em 100% das votações dos projetos.

A deputada federal Maria do Rosário (PT) garantiu que na Câmara dos Deputados a prioridade é atender as demandas que chegam do RS e que a bancada gaúcha está integrada e “superando divergências”.

"Estou segura de uma questão: Para recuperar precisamos da nossa infraestrutura, do aeroporto e das casas para assegurar a dignidade das pessoas. Precisamos manter os empregos para a esperança continuar”. E destacou o projeto do governo federal que vai apoiar as empresas e pagar um auxílio financeiro de 2 parcelas do salário mínimo (R$1.412,00) para os trabalhadores formais das cidades atingidas pelas enchentes.

O deputado Marcel van Hattem (Novo) destacou a solidariedade do povo gaúcho e afirmou que o país tem máquina pública insuficiente para lidar com a crise atual. “A máquina pública tem uma série de dificuldades. Precisamos reconhecer e saudar o povo que ajudou a salvar o povo. Hoje no RS a cidadania conseguiu fazer muito mais do que os governos”, afirmou.

Hattem também considerou a necessidade urgente de garantir empregos e lembrou que os presidentes Rodrigo Pacheco, do Senado, e Arthur Lira, da Câmara, se comprometeram a solucionar as demandas caso exista demora do governo federal.

Infraestrutura viária do RS

Os principais pontos de escoamento das exportações gaúchas e de recebimento de mercadorias – pelas vias marítima, rodoviária e aérea - foram afetados pelas enchentes de maio. Embora o principal deles, o Porto de Rio Grande (assim como as suas alternativas, os portos catarinenses de Itajaí e de São Francisco do Sul) esteja a pleno funcionamento, rodovias que permitem o transporte da carga até ele, foram danificadas.
Após as chuvas de maio, a BR471, que é o trajeto mais utilizado até o Porto de Rio Grande, está com fluxo praticamente ininterrupto, à exceção de um bloqueio parcial na altura do município de Rio Pardo, mas que permite a passagem de caminhões de até 45 toneladas. Ao mesmo tempo, a viagem até os portos de Itajaí e São Francisco do Sul está mais dificultada. A RSC-287 tem bloqueios parciais, assim como a passagem pela região metropolitana de Porto Alegre, o que impede esse acesso até a BR-101, que leva até os portos catarinenses.

Eleição Fiergs

A eleição para a presidência da Fiergs, para o mandato de 2024 a 2027, foi histórica, registrando 100% de adesão, dos 107 Sindicatos Industriais, e acirrada. O presidente Claudio Affonso Amoretti Bier foi eleito, pela Chapa 1, em maio, com 54 votos, contra os 53 do candidato da chapa 2. A eleição ocorreu em formato híbrido, com o voto presencial realizado na sede da Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. Os vice-presidentes são André Bier Gerdau Johannpeter, Arildo Bennech Oliveira, Claudio Teitelbaum, Clovis Tramontina, Maristela Cusin Longhi e Ubiratã Rezler.