Política

Acervo Público disponibiliza consulta de 1,9 mil processos de ex-presos políticos

Laudos são referentes a cidadãoes detidos e torturados entre 1961 e 1979

Laudos são referentes a cidadãoes detidos e torturados entre 1961 e 1979
Laudos são referentes a cidadãoes detidos e torturados entre 1961 e 1979 Foto : Paulo Nunes
Um total de 1.935 processos administrativos de ex-presos políticos passou a estar disponível para consulta, nesta quinta-feira, no Arquivo Público do Rio Grande do Sul. O prazo para que os titulares ou familiares requeressem a restrição destes documentos encerrou-se no dia 16 de outubro. Nenhum pedido foi protocolado. Com isso, todos os papéis agora podem ser pesquisados por qualquer cidadão.

O acervo contém os processos da Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, que entre 1998 e 2002 analisou os documentos de cidadãos presos e torturados por motivação política de 1961 e 1979. De acordo com a diretora do Arquivo Público, Isabel Perna Almeida, a documentação, antes acessada apenas por familiares ou em casos excepcionais, agora poderá ser pesquisada mediante o preenchimento de um termo. Nele, o usuário responsabiliza-se por eventuais danos morais e materiais decorrentes da utilização indevida das informações.

Além de estar ao alcance de qualquer cidadão, os documentos, segundo Isabel, poderão auxiliar os trabalhos das comissões estadual e nacional da verdade. “Essa iniciativa insere-se no contexto do direito à memória e à verdade”, explica Isabel. Ela ressalta que, assim como ocorre com a comissão da verdade, os responsáveis por torturas durante o regime militar que forem identificados não irão para os bancos dos réus. “Mas temos o direito de saber o que aconteceu: quem torturou, nomes, locais etc.”

Os interessados em requerer a restrição aos documentos tiveram 60 dias para fazer o pedido. Os nomes de todos os envolvidos foram publicados em edital. Para a diretora do Arquivo Público, o fato de ninguém ter requerido o sigilo fortalece a busca pela informação. “Quem tem interesse em manter (os documentos) restritos são aqueles que torturaram, que mataram, que violentaram, e não quem sofreu a violência”, acredita.

As informações inseridas no acervo incluem depoimentos, laudos médicos, recortes de jornal e informações sobre prisões. Esta documentação serviu para embasar cada pedido de indenização feito por esses ex-presos políticos. Do total de processos, 81 referem-se mulheres, o que segundo a diretora do arquivo ajuda a ilustrar a participação feminina no combate à ditadura militar. Para facilitar a pesquisa a esses documentos, a direção do arquivo pretende lançar, no início do ano que vem, um catálogo em que os processos estarão divididos por categorias como motivo da prisão, partido político ou organização a qual o ex-preso pertencia.

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