Política

Acordo entre Brasil e EUA vai facilitar entrada de brasileiros no país americano

Anúncio foi feito por Dilma e Obama, após reunião de trabalho entre os dois presidentes

Dilma e Obama anunciam facilitação da entrada de brasileiros nos EUA
Dilma e Obama anunciam facilitação da entrada de brasileiros nos EUA Foto : Saul Loeb / AFP / CP
A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira, ao lado do presidente norte-americano Barack Obama, a inclusão de cidadãos brasileiros no programa Global Entry, que facilita a entrada de quem viaja com frequência aos Estados Unidos. O anúncio foi feito durante declaração conjunta à imprensa, após reunião de trabalho entre os dois presidentes.

No Global Entry, o viajante não precisa passar pelas filas de imigração, apenas passa o passaporte em leitor eletrônico ao desembarcar nos EUA. A medida deverá beneficiar viajantes frequentes, sem validade para turistas eventuais.

• Brasil e EUA fecham acordo de combate à mudança de clima
• Dilma e Obama reforçam compromisso na ampliação do comércio bilateral

Dilma também destacou a assinatura de um acordo previdenciário que vai beneficiar a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos. Durante a declaração, Dilma e Obama destacaram a cooperação bilateral em áreas como comércio, investimentos, educação, defesa, energia e ciência e tecnologia e mudanças climáticas. A presidenta brasileira disse que a recuperação da economia dos Estados Unidos é importante para as economias do Brasil e do mundo e quer aproveitar o cenário para ampliar o fluxo de comércio e investimentos entre os dois países.

"Queremos ampliar e diversificar nossas trocas, nosso desafio é dobrar a corrente de comércio em uma década. O objetivo é construir condições para um relacionamento comercial ambicioso entre o Brasil e os Estados Unidos. Para isso, no curto prazo, devemos remover os obstáculos não-tarifários existentes para bens industriais e agrícolas, devemos reduzir a burocracia, as complicadas autorizações e outras restrições, ao mesmo tempo em que gostaríamos que fosse reconhecida a qualidade dos processos produtivos do Brasil", listou.

Dilma destacou a nova etapa do programa de concessões e disse que espera participação de investidores norte-americanos nas licitações de obras de infraestrutura do Brasil incluídas no pacote.

Obama e Dilma também assinaram um compromisso para ampliar a participação de energia renovável na matriz energética dos dois países até 2030, para contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa, que agravam as mudanças climáticas. "Essa decisão tem muito a ver com perspectivas e nossa participação em um acordo global de redução de emissões, para que a gente consiga de fato concretizar esse acordo na Conferência do Clima em Paris [em dezembro deste ano]", avaliou Dilma.

A presidenta acrescentou os esforços do Brasil para reduzir o desmatamento e disse que a meta é zerar a derrubada ilegal no país até 2030. "Também queremos virar a página e passar a ter uma política clara de reflorestamento. É importantíssimo para o Brasil, tem a ver com compromisso próprio que assumimos no Código Florestal", acrescentou.

Dilma e Obama também comentaram a reaproximação entre os Estados Unidos e Cuba. Obama agradeceu o apoio de Dilma e do Brasil no processo e nas negociações para a abertura de embaixadas em Havana e Washington.

Segundo Dilma, a retomada de relações entre os Estados Unidos e Cuba marca "o fim da Guerra Fria" e um novo patamar de relacionamento dos norte-americanos com toda a América Latina.

Dilma reiterou o convite para que Obama venha ao Brasil em 2016 para os Jogos Olímpicos do Rio. O norte-americano agradeceu o convite e brincou que, caso venha ao Rio, não poderá usar em público uma camiseta do Brasil, presente de Dilma, para não entrar em conflito com seus compatriotas.