O defensor disse que "muitas" das gravações, "senão todas", são montagens. Moura Teles questionou o fato de haver dois ou três meses sem interceptações telefônicas. "Eles esconderam gravações que, com certeza, podem apontar ligações com pessoas que estão querendo proteger", afirmou.
O advogado afirmou que o seu cliente mostrou que "não integra nenhuma organização criminosa", mas é apenas empregado da Delta. Garcez disse que recebia R$ 20 mil por mês do ex-diretor da construtora para prestar consultoria. O defensor observou ainda que seu cliente "claro" que é amigo de Cachoeira. "Isso não está em discussão, e ser amigo de alguém não é crime", afirmou. Moura Teles disse que o ex-vereador é amigo de "muitos políticos".
Segundo o advogado, Garcez não quis "passar recados" ao citar, em depoimento, que integrantes do governo federal fazem parte da sua lista de relações de amizade, como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o assessor da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto.
Na opinião de Moura Teles a investigação da CPI não vai dar "em nada" porque o Supremo Tribunal Federal (STF) vai anular as apurações ao julgar ilegais as investigações que foram feitas do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). "O crime é que tem que ser apurado, e com provas lícitas. Essas gravações são todas ilícitas", afirmou. "Só o Supremo tem coragem de anular", disse o advogado, para quem seu cliente está preso de forma irregular há 86 dias. O máximo, segundo ele, seriam 81 dias.