Política

Aeroporto de Frankfurt: hub que conecta a Europa ao mundo

Pelo menos 100 operações de pouso ou decolagem são realizadas por hora na cidade alemã

Pelo menos 100 operações de pouso ou decolagem são realizadas por hora em Frankfurt
Pelo menos 100 operações de pouso ou decolagem são realizadas por hora em Frankfurt Foto : Luis Chaves / Piratini / CP
O aeroporto de Frankfurt impressiona. Não só pela dimensão, mas também pelas instalações modernas e que facilitam a vida dos usuários. No tour realizado por toda a comitiva do governo gaúcho na Alemanha foram visitadas as quatro pistas de pouso ou decolagem (em duas delas, há pousos e decolagens, em outra, só pouso e, na quarta, apenas decolagens), além da central de comando e operações.

A Fraport, fundada em 1924 como empresa pública, foi privatizada em 2001. A empresa alemã garantiu a concessão do Aeroporto Internacional Salgado Filho por 25 anos e administra a instalação em Frankfurt. Cerca de 30% da companhia pertence ao estado de Hessen, na Alemanha, 20% à cidade de Frankfurt, enquanto que o restante é de acionistas desconhecidos. A receita do grupo alcançou 2,58 bilhões de euros no ano passado, o que equivale a 8,66 bilhões de reais.

Pelo menos 100 operações de pouso ou decolagem são realizadas por hora – o sistema suporta 120 – em Frankfurt. A ideia principal do aeroporto não é limitar-se a conectar a Alemanha ao mundo apenas pelo ar, mas também ajudar aos passageiros a se deslocarem até seu destino final por terra. Por esse motivo, há uma estação de trens regionais, outra de trens de alta-velocidade e uma pequena rodoviária dentro do complexo do aeroporto.




Salgado Filho


A Fraport prometeu começar assim que possível a obra de ampliação da pista do Salgado Filho, prevista no edital de concessão com prazo limite de 54 meses. A visita da comitiva gaúcha alavancou a expectativa do governo em relação à nova administração. O governador José Ivo Sartori se disse impressionado pela grandeza e extensão do principal aeroporto alemão e acredita que empresas internacionais podem ser atraídas ao Estado por causa das melhorias no terminal de Porto Alegre. “A transformação (prometida pelos alemães) não será apenas para os passageiros ou transporte de cargas, mas também de ambiente do próprio Estado e da cidade, que poderão se apropriar disso”, destacou.

É importante, no entanto, observar a diferença de tamanho entre os terminais de Porto Alegre e Frankfurt. Enquanto que o Salgado Filho transporta cerca de 7 milhões de passageiros por ano, em Frankfurt são 60 milhões. Atualmente, o aeroporto alemão possui dois terminais, mas há um terceiro em construção. Isso aumentaria em mais 20 milhões o número de passageiros por ano. “Não vamos chegar em Porto Alegre para apenas fazer dinheiro e trazê-lo para a Alemanha. Aumentar o número de passageiros e de carga transportada significa mais dinheiro para nós (referindo-se à Fraport), mas também queremos mais desenvolvimento e empregos na região. Acreditamos no potencial de Porto Alegre”, afirma Andreas Montag, gerente de Projetos responsável pela Fraport no Brasil.

A transição da operação das mãos da Infraero para as da Fraport está dividida em três fases. A empresa alemã já iniciou a preparação de um plano de transição operacional, que deverá ser entregue a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Esse primeiro passo deve levar 60 dias para estar concluído (levando em consideração o tempo de consolidação do plano e a aprovação da Anac). A partir daí, ainda com a Infraero responsável pela operação do Salgado Filho, começa a fase de transição das funções dentro do aeroporto. Esse estágio ocorrerá durante 70 dias até que a Fraport ganhe a certificação operacional. Na terceira e última fase da transição, acontece a troca de responsabilidade das operações, e a Fraport passa a administrar o aeroporto oficialmente, ainda com a presença da Infraero. A assunção total deve ficar para março ou abril de 2018.

Para se ter uma ideia da possibilidade de transformação do aeroporto da capital gaúcha e de seu entorno, os executivos da Fraport apresentaram o projeto executado no aeroporto de Lima, capital do Peru, como exemplo. Operado pela empresa desde fevereiro de 2001, o aeroporto peruano viu o número de passageiros crescer, em média, 10% ao ano desde a privatização. Eram 5 milhões em 2001 e passaram para 20 milhões em 2016. O investimento médio anual antes da privatização em melhorias limitava-se a 6 milhões de dólares por ano. Em 2016, esse valor alcançou 23,5 milhões.