O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir, nesta segunda-feira, 6, com o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, para decidir sua permanência ou não no Ministério. O encontro está previsto para ocorrer às 16h, no Palácio do Planalto.
Conforme revelou uma série de reportagens do Estadão, Juscelino está sendo acusado de mau uso do dinheiro público. Dentre as acusações, o ministro teria aberto as portas do gabinete das Comunicações para empresários que são sócios ocultos de empresas beneficiadas por ele quando deputado, com verba da União. Além disso, as investigações do jornal mostraram uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e de diárias pagas com recursos públicos para ir a compromissos privados, como leilões de cavalos.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defende o afastamento de Juscelino, o que levou a críticas dos líderes do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e no Senado, Efraim Filho (PB). Já o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, porém, afirmou que Juscelino deve ter espaço para se defender. Na quinta-feira, 2, em entrevista à Rádio BandNews FM, Lula afirmou que, se o ministro das Comunicações não conseguir "provar sua inocência", não poderá permanecer no governo. Segundo o chefe do Executivo, Juscelino tem o direito à presunção de inocência
Além do encontro previsto com Juscelino, a agenda de Lula também traz outras reuniões com ministros. Às 9h30, o presidente vai se encontrar com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Já às 10h, tem encontro marcado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar do Arcabouço Fiscal e Desenrola.
Às 15h, Lula deve se reunir com o prefeito de Aracaju e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Edvaldo Nogueira. Após a reunião às 16h com Juscelino, o presidente terá sua última agenda do dia com o ministro da Defesa, José Múcio. O encontro está programado para ocorrer às 17h.
Outras polêmicas
Juscelino Filho se envolveu em outros episódios controversos no início do governo. O primeiro foi a repercussão sobre a utilização de R$ 16 milhões do Orçamento Secreto em 2022. As RP9, como são chamadas as emendas de relator, foram criticadas pelo presidente Lula pela ausência de transparência e de regras claras para a distribuição dos recursos. A maior parte desses recursos foi destinada a uma cidade no interior do Maranhão, onde a família de Juscelino fez carreira política.
Em janeiro também repercutiu a notícia de que o ministro usou uma lista falsa de passageiros para prestar contas à Justiça Eleitoral. Ao todo, foram gastos R$ 358 mil do Fundo Eleitoral em sua campanha à Câmara dos Deputados.
Na época, a defesa do ministro negou as acusações. Ao R7, o ministro Juscelino Filho respondeu que "as contas referentes à campanha eleitoral de 2022 foram aprovadas, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão".
O ministro também foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto tráfico de influência que envolve uma empreiteira investigada por fraudes em licitações. A representação foi apresentada pelo deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS).
Segundo o parlamentar, o ministro teria atuado junto à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para favorecer empreiteira ligada a políticos e apontada como integrante de um cartel com envolvimento em desvios de recursos.