Política

Alvo de privatização, Sulgás deverá ter lucro de até R$ 120 milhões em 2016

Empresa é uma das quatro que o governador Sartori anunciou projeto de vender ou federalizar

A Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) , que o governador Sartori anunciou nessa segunda-feira que tem interesse em privatizar ou federalizar, deverá ter lucro de até R$ 120 milhões ainda neste ano. Desse total projetado, cerca de um quarto, até R$ 30 milhões, devem ser repassados aos cofres do Estado. Apesar do saldo positivo, o governo deseja vender a Sulgás à iniciativa privada, sob argumento de que a empresa “apresenta resultados insuficientes frente aos grandes investimentos necessários à ampliação do fornecimento de gás, principalmente para a área industrial”.

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O presidente da Associação dos Empregados da Sulgás, Neimar Blanc, avalia que a venda de uma empresa que tem balanço positivo é uma medida lucrativa a curto prazo, mas não será vantajosa a médio e longo prazos. “A gente vê com muita tristeza o entendimento do governo. Vai ser morta a vaca leiteira”, diz Blanc.

A Sulgás atende hoje a 121 indústrias, 670 estabelecimentos comerciais e 82 postos de GNV, distribuindo e comercializando o gás oriundo do Gasoduto Brasil-Bolívia. A Sulgás conta hoje com mil quilômetros de rede de distribuição canalizada, que distribuem 1,93 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural.

O presidente da Sulgás, Claudemir Bragagnolo (PSB), diz que apoia a venda da empresa uma vez que seu partido faz parte da base aliada do governo Sartori. “A Sulgás historicamente tem resultado positivo, em torno de R$ 50 milhões (de lucro por ano). Esse ano, deveremos fechar em R$ 120 milhões. Temos que entender o momento do governo, o projeto do governo, a situação que o Estado vem ao longo do tempo. Evidentemente que, por resultado, não teria motivo para vender a empresa”, disse Bragagnolo.

Alem da Sulgás, o governador anunciou ontem a intenção de privatizar ou federalizar ainda a Ceee (Companhia Estadual de Energia Elétrica), a Cesa (Companhia Estadual de Silos e Armazéns) e a CRM (Companhia Rio-grandense de Mineração).

O secretário-geral de Governo, Carlos Búrigo, em entrevista ao Programa Agora, da Rádio Guaíba, na manhã dessa terça, admitiu que o Piratini ainda não tem previsão de possíveis valores de venda das empresas, defendendo que se trata de uma postura estratégica.

“Não temos isso. Temos estudos, mas é muito prematuro. São ativos que temos no Estado. Segundo, vamos deixar de colocar dinheiro do tesouro em algumas dessas empresas que, é o que está apontando ali na frente. E, terceiro, são empresas importantes na geração de energia, e quando a economia começar a crescer, serão importantes para atrair empresas”, disse Búrigo.

Para se desfazer das empresas em um segundo momento, o pacote anunciado ontem por Sartori inclui uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a atual exigência de plebiscito para venda da Ceee, CRM e Sulgás.

Do total de lucro da Sulgás, 50% é obrigatoriamente reinvestido na própria empresa. O restante é dividido proporcionalmente entre os acionistas, sendo o Estado majoritário com 51% das ações.