Política

Andressa Mendonça fica em silêncio e é dispensada da CPI

Mulher de Cachoeira foi acusada de tentar chantagear o juiz responsável pelo caso

Andressa Mendonça foi dispensada da CPI
Andressa Mendonça foi dispensada da CPI Foto : Alexandra Martins / Agência Câmara / CP
Apesar dos protestos de parlamentares, Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, se recusou a falar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Carlinhos Cachoeira e foi dispensada da reunião. Ela entrou na sala da comissão por volta das 11h30min desta terça acompanhada de seu advogado José Gerardo Grossi.

Andressa foi convocada na condição de investigada e usou o direito de ficar em silêncio, assegurado pela Constituição Federal, para não produzir provas contra si mesma. No início da sessão, a senadora Kátia Abreu (PSD-DEM) disse que foi alvo de tentativa de intimidação por parte da mulher de Cachoeira, e depois por um telefonema anônimo procedente de um orelhão em Palmas, no Tocantins.

A senadora disse que continuará “denunciando essa quadrilha”, como sempre fez, e que não tem medo de Andressa nem do seu "comparsa". Afirmou ainda que ela não passa de uma mentirosa e que deveria estar na cadeia também, por ter tentado corromper a Justiça. “Ela não vai me intimidar. Não devo e não temo. Estou aqui na primeira fila esperando a ‘senhora Cascata’ para ouvir o que ela tem contra mim”, disse.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) falou que a comissão não pode admitir que esse tipo de ameaça aos senadores passe em branco, do contrário ficará desmoralizada. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou que já foram tomadas providências em relação às ameaças.

Na semana passada, a mulher do contraventor foi acusada de tentar chantagear o juiz responsável pelo caso, Alderico Rocha, da 11ª Vara Federal de Goiânia. Ela foi levada à sede da Polícia Federal de Goiânia para prestar depoimento, e teve de pagar fiança de R$ 100 mil para não ser presa. Andressa ainda foi proibida pela Justiça de visitar Cachoeira.

Suspeito de “arapongagem” também é dispensado

Suspeito de ser um dos arapongas do grupo de Carlinhos Cachoeira, o policial federal aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto também foi dispensado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Ele veio ao Congresso munido de decisão favorável ao pedido de habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer em silêncio e informou que não responderia a nenhum questionamento feito pelos integrantes da comissão.

"Não fui nem denunciado nesse processo. Em nenhuma das duas operações [Vegas e Monte Carlo]. Eu não tenho nada para colaborar. Eu não conheço de nada. Eu vou ficar calado", disse Joaquim Gomes Thomé Neto, convocado na condição de testemunha. Ele havia sido chamado no início de julho, mas apresentou atestado médico na ocasião.

Vital do Rêgo criticou a apresentação do habeas corpus afirmando que o dispositivo é desnecessário. Ele ressaltou que a CPI tem respeitado o direito constitucional das testemunhas de permanecer em silêncio. Com a negativa de Joaquim Gomes Thomé Neto, a reunião foi encerrada.


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