Política

Após críticas, governo explica sigilo no valor de obras da Copa

Procurador da República classifica mudança como "absurda" e advogado da União responde

Procurador-geral, Roberto Gurgel, classificou sigilo em obras da Copa de ilegal e absurdo
Procurador-geral, Roberto Gurgel, classificou sigilo em obras da Copa de ilegal e absurdo Foto : Antonio Cruz / ABr /CP
Após duras críticas, inclusive de integrantes do governo, como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o governo federal se manifestou sobre a lei que autoriza o sigilo quanto aos valores envolvidos nas contratações para obras da Copa 2014 e da Olimpíada 2016. Conforme o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o governo não pretende que o segredo seja mantido para sempre. Segundo ele, isso só ocorrerá em determinadas etapas do processo para impedir que interesses individuais dos licitantes emperrem o andamento das obras.

Na quarta, a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória que cria o Regime Diferenciado de Contratação para os megaeventos esportivos. Uma alteração na MP, contudo, permite que haja sigilo nos orçamentos de obras feitas pelo governo federal e pelas administrações estaduais e municipais. “Existem etapas no processo (licitatório) e elas têm evolução. Na medida em que vão evoluindo, a transparência no processo é dada”, garantiu Adams.

Gurgel foi taxativo quanto ao projeto. “Se for verdade, é pouco dizer que seria uma coisa absurda, escandalosamente absurda. Você não pode ter despesa pública protegida por sigilo”, definiu. O procurador afirmou que os interessados na aprovação do projeto estão buscando meios de contornar as exigências legais, uma vez que as obras estão muito atrasadas. Adams contestou a ideia de sigilo absoluto e ressaltou que haverá fiscalização de órgãos de controle, como os tribunais de Contas, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público para evitar casos de corrupção.

O procurador geral sublinhou que o argumento de que o evento é grandioso e que por isso merece flexibilizações é inválido. “Na verdade eu acho que um evento grande impõe que cuidados sejam redobrados. Por ser um megaevento, as despesas também são megadespesas e por isso se impõe que os cuidados com essas despesas sejam ainda maiores”, enfatizou. Ele salientou o fato de que o texto-base ainda pode ser alterado, pois os destaques só serão votados no dia 28. "Essa é uma oportunidade para que o Congresso aprove a lei de acordo com o que permitem as leis brasileiras."

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