Política

Após duas suspensões, sessão de julgamento antecipa almoço

Senado retomará processo às 13h

Após duas suspensões, Senado faz pausa e retomará sessão às 13h
Após duas suspensões, Senado faz pausa e retomará sessão às 13h Foto : Edilson Rodrigues / Agência Senado / CP
No segundo dia do julgamento de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, decidiu retormar a sessão às 13h desta sexta-feira devido ao excesso de discussões entre os senadores. Iniciada às 9h45min devido ao atraso do advogado de defesa José Eduardo Cardozo, a sessão precisou ser suspendida por duas vezes.

O primeiro bate-boca começou quando o senador petista Lindbergh Farias (RJ) pediu a palavra e atacou o democrata Ronaldo Caiado (GO) que lhe antecedeceu. "Esse senador que me antecedeu é um desqualificado. O que fez com senadora Gleisi é de covardia impressionante, dizer que tentou aliciar testemunha", afirmou o petista.

Na sequência, Lewandowski alertou Lindbergh. "Não posso admitir palavras injuriosas dirigidas a qualquer senador. Vou usar meu poder de polícia para exigir respeito mútuo e recíproco."

A declaração da petista Gleisi Hoffmann (PR), nessa quinta-feira, de que o Senado não tinha moral, gerou claro desconforto entre os parlamentares e foi retomada durante as falas dos senadores durante toda a manhã. "As senadoras que se manifestam sobre a moral dos senadores, que indiquem quem são", declarou Ana Amélia Lemos (PP-RS).

Em tentativa frustrada de tentar acalmar os ânimos, o presidente do Senado Renan Calheiros rechaçou a atitude "burra" dos senadores e apontou para o atraso, que poderá levar ao cancelamento do depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff, marcado para segunda-feira. 

Esquentando ainda mais o ambiente e provocando a reação imediata de petistas, Renan lembrou que Gleisi e o marido, o ex-ministro das Comunicações do governo Dilma, Paulo Bernardo foram indiciados por corrupção passiva na operação Lava Jato. Os dois são acusados de receber propina de contratos oriundos da Petrobras.

Renan chegou a afirmar que o Senado estava passando para a sociedade uma imagem de que Lewandowski estava sendo, constitucionalmente, obrigado a "presidir um julgamento em um hospício" e que nenhum dos lados ganharia esta disputa baseada em bate boca político.