Uma semana depois de causar polêmica com a declaração de que o câncer de mama em homens poderia ser consequência de passeatas gays, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), preferiu hoje dedicar a reunião da Escola de Governo transmitida pela Rádio e Televisão Educativa, às políticas públicas voltadas às minorias. No entanto, ele não perdeu a oportunidade de abordar o tema ao chamar secretário de Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, para a apresentação."Você notou como tem pouca gente no plenário hoje. Eu geralmente me enfureço com isso, mas o nosso (Carlos) Moreira (assessor de gabinete) acaba de me advertir: 'Requião, não se preocupe com essa ausência hoje, o pessoal não voltou da passeata do Rio de Janeiro (14ª Parada do Orgulho Gay, domingo) e estão voltando de ônibus, não foram de avião, não é que tenham ficado na praia, nem nada disso, estão participando todos de uma manifestação pela diversidade'".
No evento realizado no Rio de Janeiro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tinha mandado um recado a Requião. "Preconceito faz mal à saúde, preconceito pode matar, o que cura o preconceito e a doença é a solidariedade", disse. O governador paranaense comentou rapidamente as críticas, ao final da reunião. "Eu acho que ele deve ter se divertido, mas eu continuo com a posição de que nós precisamos é trabalhar a questão da diversidade nas escolas, nós precisamos trabalhar culturalmente, nós precisamos trabalhar isso dentro de um processo civilizatório brasileiro", retrucou.
Quase todo o tempo da Escola de Governo foi utilizado pelo secretário de Assuntos Estratégicos para falar sobre a criação de programas especiais para os quilombolas, negros, indígenas e comunidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Ao salientar que elas são uma "aposta de evolução", ele não perdeu a oportunidade para mais uma ironia. "Muito provavelmente vocês não me verão dançando durante um desfile gay", disse.
Após polêmica com gays, Requião fala de diversidade
Governador do Paraná foi duramente criticado após atribuir doença ao homossexualismo