Política

Assembleia aprova projeto que estimula terceirizações no RS

Proposta regra modelo para que organizações sociais assumam diversos serviços públicos de natureza essencial

Apesar de polêmico, texto não foi alvo de protestos de servidores públicos
Apesar de polêmico, texto não foi alvo de protestos de servidores públicos Foto : Fernando Gomes/ALRS/

Projeto do governo Eduardo Leite (PSD) que estimula terceirizações de serviços públicos foi aprovado pela Assembleia Legislativa na sessão desta terça-feira. O placar da votação foi de 35 votos favoráveis e 10 contrários.

A proposta permite que organizações sociais assumam atividades em 15 diferentes áreas de atuação do poder público estadual, entre elas saúde, educação, saneamento, habitação, assistência social, gestão ambiental e urbanismo.

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O texto sofreu críticas da oposição. “Leite propõe uma terceirização generalizada, com a possibilidade que organizações sociais peguem funções que deveriam estar vinculadas a um plano de Estado. Abre espaço para que se desrespeite leis de fiscalizações e também situações de corrupção”, afirmou o deputado Matheus Gomes (PSol).

A base do governo defendeu a proposta. “O projeto traz um regramento claro que as organizações sociais terão na prestação de serviços auxiliares no Estado, que são prestados dessa forma em todo o país há muito tempo. Estabelece um crivo de cumprimento de metas. O Estado sempre teve essa possibilidade, mas regra isso a partir de agora”, disse Marcus Vinícius (PP).

"É a nova República Velha. Acabou a impessoalidade. O governo de plantão indica seus amigos que gerenciam uma organização social sem controle nenhum. É um processo de desconstrução do serviço público que tem como base a impessoalidade. Não terá processo seletivo aberto. O governante escolhe quem vai prestar o serviço. Por isso, é um instrumento perigosíssimo de corrupção e ineficiência”, criticou o deputado Miguel Rossetto (PT).

Outros deputados discordam. "É uma modernização legislativa, inclusive aumentando rigor e transparência na contratação, permitindo que o Estado possa até intervir no caso de serviços mal prestados. Tem mais exigências de contrapartidas e amplia o leque de contratações”, afirmou Felipe Camozzato (Novo).

Apesar de afetar o funcionalismo público, não houve grandes mobilizações de servidores e sindicatos para protestar contra a proposta nas galerias do Legislativo. "Esse problema da mobilização tem a ver com uma prática que, neste governo, é recorrente: mandar projetos complexos, importantes e ruins sempre no final de ano, em um pacote com muitos outros, em uma época em que a mobilização já é difícil, com todo o desgaste dos servidores que já estiveram aqui diversas vezes nas últimas semanas. Esse projeto é grave porque terceiriza funções típicas do Estado”, declarou Luciana Genro (PSol).