Política

Assembleia flexibiliza lei ambiental para construção de sistemas de irrigação no RS

Projeto aprovado pelos deputados nesta terça-feira envolve área de preservação ambiental

Deputados aprovaram um dos textos que tratam da flexibilização das leis ambientais
Deputados aprovaram um dos textos que tratam da flexibilização das leis ambientais Foto : Fernando Gomes / Agência ALRS / CP

A Assembleia Legislativa aprovou, nesta terça-feira, o projeto que transforma obras de infraestrutura para construção de barragens, sistema de irrigação e açudes em interesse público. Na prática, a proposta retira parte de restrições para construção em APPs (Área de Preservação Ambiental). De autoria do deportado Delegado Zucco (Republicanos), o projeto foi aprovado por 35 votos favoráveis a 13 contrários e tem como objetivo, segundo o autor, impulsionar alternativas de armazenamento de água para agricultura e pecuária, a fim de combater a estiagem.

A emenda proposta pela bancada do PP não chegou a ser votada. O texto previa mudanças mais profundas no Código Ambiental e encontrava resistência, inclusive judicialmente. O deputado Guilherme Pasin (PP), co-autor da matéria, afirmou que a retirada da emenda ocorreu em função de um alinhamento que está sendo feito entre a Assembleia, o governo do Estado e demais órgãos, como o Ministério Público do Estado, para criação de uma nova proposta. O texto corria risco de ser vetado por falta de legalidade, uma vez que colidia com o Código Florestal, que, atualmente, também está em discussão no Congresso Nacional.

Discussão adiada:

Com isso, o PL 204/23, de autoria da bancada do PP, tendo o presidente da Casa, Adolfo Brito (PP) como primeiro signatário, e com a mesma redação da emenda, ficou prejudicado e não chegou a ser votado. Na reunião de líderes, pela manhã, a proposta já tinha sido colocada como última da pauta de votações.

Agora, os deputados envolvidos na temática, incluindo Brito, aguardam o andamento das discussões na Câmara dos Deputados. A expectativa é de que proposta do senador gaúcho Luis Carlos Heinze (PP), que prevê a legalização da construção de reservatórios para irrigação em áreas de proteção (APPS) em imóveis rurais seja aprovada. Neste caso, a bancada do PP deverá apresentar, novamente, uma proposta que contemple as alterações feitas a nível nacional, além de demais complementos.

A bancada de oposição à esquerda, únicos a ir contra a proposta de Zucco, acredita que a proposta se choca com legislação federal e não deverá ser implementada. Movimentos na Justiça provavelmente deverão ser feitos, a fim de barrar a implementação. Na tribuna, o deputado Miguel Rossetto (PT) retomou o argumento, criticando ainda a votação “acelerada” da proposta, que retirava a possibilidade de ampliação do debate. Ele relembrou ainda as políticas de irrigação e reservação de água desenvolvidas nos governos do PT no RS, sob argumento de que foram implementadas sem prejudicar o meio ambiente.

Proposta busca assegurar direitos para terceirizados no RS

Os deputados também tornaram obrigatório que os órgãos públicos estaduais criem uma conta, em banco público, para o depósito mensal dos direitos trabalhistas dos servidores terceirizados. A proposta tem como objetivo assegurar que os trabalhadores recebam benefícios como férias e décimo terceiro. A conta não poderá ser movimentada por terceiros.

No ano anterior, a bancada do PSol, a luz de recentes denúncias por parte de servidores da Assembleia, apresentou projeto com teor semelhante. O texto, contudo, foi parcialmente vetado pelo governador, sendo aprovado somente a questão que garantiu a transparência dos pagamentos.