Política

Ato contra impeachment reúne Lula, artistas e intelectuais no Rio

Estimativa dos organizadores é de que cerca de 5 mil pessoas acompanhavam o movimento

Estimativa dos organizadores é de que cerca de 5 mil pessoas acompanhavam o movimento
Estimativa dos organizadores é de que cerca de 5 mil pessoas acompanhavam o movimento Foto : Fernando Frazão / ABr / CP
Um ato contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniu nesta segunda-feira, no centro do Rio artistas, intelectuais e políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou ao local sob aplausos. A estimativa dos organizadores é de que cerca de 5 mil pessoas acompanharam o ato na Fundição Progresso, na Lapa.
Do lado de fora, uma multidão que acompanhava pelo telão os discursos ocupou os arredores dos Arcos. Muitos gritavam "Não vai ter golpe".

O humorista Gregório Duvivier fez um rápido pronunciamento. "É uma coisa absurda deixar na mão deste Congresso o futuro do País. Independente do resultado da votação dá nojo e asco ver esse Congresso decidindo algo", afirmou. "O impeachment capitaneado pelo (presidente da Câmara) Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é como um pênalti marcado pelo Eurico Miranda a favor do Vasco." Duvivier ressaltou que a manifestação tem críticas ao governo e pediu a Dilma que "melhore e governe para a esquerda, em nome do projeto para a qual foi eleita".

Ao todo, cerca de 300 artistas e intelectuais assinaram o manifesto contra o processo de impeachment da presidente. Dentre eles, o ator Wagner Moura e o cantor Caetano Veloso, que não estavam presentes devido a compromissos no exterior.

Também participaram os cantores Chico Buarque e Beth Carvalho, a atriz Letícia Sabatella, o teólogo Leonardo Boff, o escritor Eric Nepomuceno, e os diretores de teatro Aderbal Freire Filho e José Celso Martinez Correa. No campo político, acompanharam o ato o ex-presidente do PSB Roberto Amaral e o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, entre outros.

Integrantes de diversos movimentos sociais participaram do evento, como a UNE, MST, CUT, Unegro, Federação Única dos Petroleiros (FUP), além de militantes dos PT, PC do B, PSOL e PDT.

O manifesto, lido por Eric Nepomuceno, chama de "ressentidos da derrota e aventureiros do desastre" os apoiadores do impeachment no Congresso. "Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial integra a Constituição Cidadã de 1988. E é por respeito a essa Constituição que seu uso indevido e irresponsável se constitui um golpe institucional. Quando não há base alguma para sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado."

No palco, os artistas fizeram menção à pesquisa de intenção de voto divulgada pelo instituto Datafolha, no domingo, e à falta de "fundamento jurídico e crime de responsabilidade" no pedido de impeachment. Citado por Aderbal Freire Filho, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi vaiado pelo público.