Política

Ato em defesa da democracia reúne milhares em Porto Alegre

Manifestação contra o impeachment e em apoio à presidente Dilma lotou as ruas centrais da Capital

Manifestação contra o impeachment e em apoio à presidente Dilma lotou as ruas centrais da Capital
Manifestação contra o impeachment e em apoio à presidente Dilma lotou as ruas centrais da Capital Foto : Alina Souza
Com informações dos repórteres Louisiane Cardoso e Bernardo Bercht.

O ato em defesa da democracia e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) levou milhares de pessoas às ruas de Porto Alegre, nesta quinta-feira. Com o tema “Em Defesa da Democracia, Golpe Nunca Mais”, as atividades lembraram o episódio histórico de 31 de março de 1964, quando se iniciou o regime militar.  A Brigada Militar contabilizou 18 mil participantes, contra cerca de 10 mil do evento do último dia 13. Os organizadores, por sua vez, registraram cerca de 80 mil participantes.

“Povo e movimentos sociais precisam construir uma aliança pela legalidade e pelos direitos democráticos e sociais. Os brasileiros que reprovam o governo não precisam gostar do PT, mas devem amar o Brasil e a democracia”, discursou o presidente do PT, Ary Vanazzi, na Esquina Democrática.



Palavras de ordem em defesa da democracia foram entoadas. “Não vai ter golpe. Vai ter luta”, diziam os participantes. O ministro do Trabalho Miguel Rossetto (PT) acusou os defensores do afastamento da presidente de atentar contra a ordem constitucional. “A mentira do impeachment é uma ameaça criminosa contra a ordem social e a democracia”, qualificou.

Em todo o Brasil, além de representantes de partidos políticos e sindicatos, o ato também reuniu ativistas sociais e artistas. “Impeachment é ato político, mas tem que ser dentro da lei. Acredito na defesa da democracia”, comentou o cineasta Jorge Furtado.

Os discursos no carro de som embalaram muito o principal grito do movimento "não vai ter golpe, vai ter luta", mas também focaram na argumentação de que o golpe é estimulado por uma "direita racista e machista". Também diferentemente da concentração anterior, o vice-presidente Michel Temer foi alvo de muitas críticas e frases de efeito por apoiar a "direita golpista". Depois dos discursos, o grupo iniciou caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares, no bairro Cidade Baixa, por volta das 20h. Às 20h35min, parte do grupo começou a chegar região.

Os manifestantes empunharam bandeiras de movimentos sociais como o Bloco da Diversidade e de partidos políticos como PT, PDT, PSol e PCdoB. Eles gritaram palavras de ordem contra o impeachment e contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. “O Cunha, pode esperar, a tua hora vai chegar”, gritaram, em meio aos cartazes que pediam a prisão do parlamentar, além de "não ao golpe", "em defesa da Democracia". O ministro do Supremo Tribunal Federal também ganhou cartazes de repúdio.

Os discursos enfocaram a defesa de que Dilma Rousseff não fez as chamadas pedaladas fiscais e manteve os programas sociais do governo federal. Também chamam de “golpe” a tentativa de retirar a presidente do poder, alegando crime de responsabilidade não comprovado.

O grupo aumentou pouco depois das 17h30min, quando manifestantes do Movimento Sem Terra (MST) chegaram à Esquina Democrática, vindos da avenida Loureiro da Silva. O MST foi recebido com entusiasmo pelos presentes na Esquina Democrática. Entidades como Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também estavam presentes, discursaram a favor da democracia e manifestaram grande apoio a Dilma.