Milhares de pessoas foram às ruas nesta quarta-feira, em pelo menos 23 cidades aos gritos de "não vai ter golpe" para protestar contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os manifestantes também pediram a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
O maior ato aconteceu em São Paulo, onde os manifestantes foram em passeata da avenida Paulista até a Praça da República. Os organizadores do evento estimam que 100 mil pessoas estiveram no protesto. Segundo a Polícia Militar, foram 3 mil, às 19h. O número oficial, no entanto, foi contestado pelos próprios policiais que trabalharam na segurança do evento. À reportagem, alguns deles disseram que o ato de ontem reuniu mais gente do que a manifestação de domingo, em favor do impeachment, quando a Secretaria de Segurança Pública estimou o número de manifestantes em 30 mil.
Os protestos em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff nesta quarta foram registrados em cidades de ao menos 16 Estados, além do Distrito Federal. No Rio, os manifestantes que protestaram contra o impeachment saíram em passeata do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em direção à Cinelândia, ambos no centro. Ao passarem em frente ao prédio em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem escritório, um homem jogou para o ar dezenas de notas falsas de dólar com o rosto do deputado. Os manifestantes gritavam "Fora Cunha".
Segundo os organizados, haviam 5 mil pessoas no ato. A Polícia Militar não divulgou estimativa de participantes. Manifestantes usavam camisas de grupos como o Levante Popular da Juventude e também da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Havia bandeira de partidos políticos, especialmente do PT e do PC do B.
A marcha em Brasília em 3 mil pessoas em Brasília, segundo estimativa da PM e 10 mil, conforme a organização do evento. "Não vai ter golpe" foi o principal hino da caminhada, embora não tenha faltado o clássico "O povo unido jamais será vencido". No caminhão de som, porém, outras pautas foram levantadas como a reforma agrária, política, econômica.
Maracatu
No Recife, a manifestação em defesa do mandato da presidente foi em clima de festa. Grupos de maracatu, afoxé, blocos carnavalesco e até uma orquestra de frevo participaram da caminhada no centro da capital pernambucana. Já na concentração, os participantes entoavam palavras de ordem a favor da petista e contra Cunha. Segundo os organizadores, cerca de 3 mil pessoas participaram da mobilização. De acordo com números divulgados pela PM, a estimativa era de 3,5 mil manifestantes.
Na capital gaúcha, cerca de duas mil pessoas participaram do evento pró-Dilma e em oposição ao presidente da Câmara, segundo levantamento da Brigada Militar. Os manifestantes se reuniram em frente à prefeitura de Porto Alegre e saíram em caminhada pelo centro da cidade. O ato foi organizado pela Frente Brasil Popular. Uma das lideranças que puxavam a caminhada era o ex-ministro e ex-governador gaúcho Olívio Dutra (PT).
O ex-ministro Gilberto Carvalho, que atuou nos governos Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhou a manifestação em Fortaleza. / Ricardo Galhardo, Valmar Hupsel Filho, Constança Rezende, Luísa Martins, José Maria Tomazela, Monica Bernardes, Lucas Azevedo e Lauriberto Braga, especial para AE
Atos pró-Dilma ocorrem em 16 Estados
Maior manifestação foi em São Paulo, onde houve passeata da avenida Paulista até a Praça da República