Aumento de mortes por Covid-19 no interior acende alerta no governo do RS

Aumento de mortes por Covid-19 no interior acende alerta no governo do RS

Mesmo com aumento de casos do novo coronavírus, a coordenadora do Comitê de Dados do governo, Leany Lemos, descarta lockdown no Estado

Por
Felipe Samuel

De 21 a 29 de junho, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) contabilizou 106 óbitos no Estado, ou seja, 18,2% do total registrado no Estado até aquele dia


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O avanço do novo coronavírus no interior já reflete no crescimento de número de mortes por conta da doença no Rio Grande do Sul. Mesmo com as medidas de restrição anunciadas pelo governo gaúcho a partir da adoção do modelo de distanciamento controlado, em um período de oito dias, de 21 a 29 de junho, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) contabilizou 106 óbitos no Estado, ou seja, 18,2% do total registrado no Estado até aquele dia.

Conforme a SES, em 21 de junho a pasta contabilizava 476 óbitos. Oito dias depois, em 29 de junho, somavam 582 mortes. A propagação da Covid-19 e a necessidade de leitos de UTI para atender à demanda, principalmente na Capital e na Região Metropolitana, acenderam o alerta no Palácio Piratini. Os números são ainda mais preocupantes se levar em consideração o período de 15 a 29 de junho. No período, o número de óbitos avançou de 384 para 582, o que representa crescimento de 51,5% em duas semanas.

Coordenadora do Comitê de Dados do governo, Leany Lemos reconhece que o número de contágios 'acelerou' em algumas regiões, por isso a necessidade de restringir a circulação da população em regiões com bandeira vermelha (risco epidemiológico alto). Admite que o modelo epidemiológico apontava para crescimento de óbitos nesse período. "Aconteceu dentro do previsto, não é uma surpresa", justifica.

Ela explica que o objetivo do governo é manter a taxa de mortalidade no Estado entre as mais baixas do país. "Não queremos que falte atendimento para as pessoas, porque se falta atendimento o número de óbitos vai ser muito maior", alerta.

Lockdown

Mesmo com aumento de casos do novo coronavírus, Leany descarta um lockdown (fechamento) total no Estado. "O lockdown total tem efeito enorme na economia e na saúde mental das pessoas", frisa. "Não trabalhamos com isso (ideia). Lockdown total é para quem não tem plano", completa. Ela destaca que as próximas três semanas devem ser críticas por conta do contágio em determinadas regiões. E apela que os moradores de regiões com bandeira vermelha evitem circular e cumpram isolamento social para que 'o sistema funcione'. Conforme Leany, a ideia é alongar a curva da doença e evitar pico.

"O sistema (de distanciamento controlado) deu alerta e aponta que 46% da população, ou 5 milhões de pessoas, vive em áreas de alto risco", afirma, acrescentando que o RS apresenta taxa de mortalidade de 5,4 por 100 mil habitantes, índice inferior a estados como São Paulo e Rio de Janeiro. "É importante colocar esses pontos, a partir da perspectiva do país que a gente vive. Conseguimos manter baixa a taxa de letalidade, mas não podemos comemorar isso, não queríamos nenhum óbito", observa.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), de 21 a 29 de junho, a Capital contabilizou 23 mortes por conta do novo coronavírus, passando de 66 para 89, o que representa aumento de 34,84% em oito dias. Apesar do aumento das vítimas fatais da Covid-19 e da elevação da ocupação de leitos de UTI em junho, a SMS avalia que o município está distante do pico da doença.

Adjunto da secretaria, Natan Katz explica que o crescimento do número de óbitos tem relação com a ocupação de leitos de UTI. Ele afirma que a 'grande questão' é garantir acesso ao sistema de saúde à população, principalmente às UTIs. Ele reforça que os números atuais estão dentro de um quadro natural de evolução da doença. "Quantos mais pessoas infectadas a gente tiver, mais dependentes de UTI vamos ter, e mais óbitos vamos ter. Não é alguma coisa dissociada", observa. Katz explica que o óbito é 'sempre um identificador tardio' da evolução da pandemia, mas garante que a maior parte dos pacientes internados em UTIs consegue ter alta.

Katz destaca que uma parcela muito pequena da população da Capital teve contato com a doença. "Nem o Estado nem Porto Alegre tiveram pico da doença, estamos longe de um pico. A gente pode, sim, em algum momento ter descontrole da pandemia, mas não é nisso que a gente está trabalhando", alerta. Ele aponta algumas ações da prefeitura como a restrição da atividade econômica e diminuição de mobilidade para frear o crescimento dos casos de Covid-19 e evitar lotação das UTIs.

Embora reconheça que julho, por conta das baixas temperaturas, representa historicamente um desafio para a saúde, Katz afirma que a colaboração da população a partir do cumprimento das medidas de distanciamento social é fundamental para impedir a disseminação do vírus.


"Julho tem sido um mês bem dificil. Em agosto esperamos reduzir o crescimento que estamos apresentando a partir das medidas que tomamos", justifica. "Se não conseguir voltar a ter distanciamento social parecido com o que tivemos em março, corremos risco de ter uma pandemia descontrolada e com grande número de óbitos", completa.