Blair também defendeu impostos simples e razoáveis, além do livre mercado. “Quanto mais se opera o comércio aberto, maior é o ganho”, afirmou, lembrando de experiências do Reino Unido, com a instalação de uma montadora japonesa de veículos. Para ele, são necessárias as trocas, porém com regras definidas e justas.
Como patrono da Africa Governance Iniciative, tem viajado por vários países e disse que aprendeu que a característica do mundo hoje é a agilidade nas mudanças. “A globalização está integrando o mundo”, ressaltou. Segundo Blair, o futuro é imprevisível, especialmente o das finanças, e a atuação dos líderes é fundamental para o enfrentamento dessa nova realidade. É necessário coragem para realizar reformas, como a do ensino, a qual defendeu. “A educação é a coisa mais importante para um país fazer, mas é a mais difícil”, destacou.
Uma das possibilidades é utilizar parcerias público privadas para investir na área e qualificar professores. Blair contou que, quando primeiro-ministro, enfrentou críticas ao promover alterações na área. A ideia foi o de utilizar as boas escolas como modelo. “Onde houver excelência, encoraje. Onde não houver, não aceite”, disse. Para mudar a estrutura, explicou que seu governo ouviu os sindicatos, porém não os deu poder de veto. Ainda mencionou o rigor das avaliações de desempenho.
Blair respondeu a três perguntas de estudantes de Direito e de Relações Internacionais da UniRitter, instituição que faz parte da rede internacional de universidades Laureate. Uma das questões era sobre a segurança nas conectividades. O ex-primeiro-ministro não se posicionou sobre o caso de supostas violações dos Estados Unidos, denunciados pelo ex-agente da CIA Edward Snowden, mas disse que deve haver segurança e supervisão nas informações sigilosas.
De acordo com Blair, no século XXI, Estados Unidos e Europa terão que compartilhar o poder com países como China, Índia e o Brasil. “Se formos comparar o Brasil hoje, com o de 20 anos atrás, temos mudanças impressionantes. Nos próximos 20, teremos que mudar muito mais”, salientou.
Evento
Inicialmente, o reitor da universidade, Telmo Frantz, destacou a importância da economia gaúcha. Segundo ele, o potencial de estarmos em quarto lugar no Produto Interno Bruto (PIB) do País faz a necessidade de contratar mão-de-obra. Ainda citou que a UniRitter está crescendo e tem hoje 33 cursos de graduação, 34 de pós-graduação, quatro mestrados e um doutorado.
Depois, o presidente da Rede Laureate Brasil, José Roberto Loureiro, agradeceu a presença do ex-primeiro ministro no Brasil. Afirmou que Tony Blair é um homem que fez história. Acredita que ele é uma voz importante para uma África mais forte. Loureiro ainda citou a força da Rede a importância acadêmica da presença de Blair em Porto Alegre.
Com informações de Karina Reif e Jerônimo Pires