Política

Avião com Joesley e Saud deixa São Paulo com destino a Brasília

Executivos não estavam algemados

Executivos não estavam algemados, foram levados em dois veículos, acompanhados por forte escolta
Executivos não estavam algemados, foram levados em dois veículos, acompanhados por forte escolta Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
O avião da Polícia Federal com os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, deixou nesta segunda o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília, onde os dois serão levados para a Superintendência da Polícia Federal. Joesley Batista e Ricardo Saud deixaram, às 10h35min, a Superintendência da Polícia Federal (PF) na capital paulista. Eles saíram do prédio por uma saída reservada, na região da Lapa, onde passaram a noite na carceragem. Os executivos não estavam algemados, foram levados em dois veículos, acompanhados por forte escolta, para o Aeroporto de Congonhas.

As prisões temporárias dos executivos foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que acolheu o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. De acordo com Rodrigo Janot, um áudio de quatro horas de uma conversa dos executivos da J&F, que mencionavam o ex-procurador da República Marcelo Miller, aponta que eles omitiram informações da Procuradoria-Geral da República durante as negociações do acordo de delação premiada. 

Com a decisão judicial, agentes da Polícia Federal cumprem cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em São Paulo e um no Rio de Janeiro, na Operação Bocca, relacionada à prisão de Joesley e Saud. O nome da operação, Bocca, refere-se a "Bocca della Verità", cuja característica é seu papel como detector de mentiras. "Desde a Idade Média, acredita-se que se alguém contar uma mentira com a mão na boca da escultura, ela se fecharia 'mordendo' a mão do mentiroso", diz nota da PF.

Janot também apresentou pedido de prisão temporária de Miller, mas o ministro Fachin rejeitou argumentando que não há indício suficiente. Os advogados de Marcello Miller afirmaram que o ex-procurador recebeu com tranquilidade o pedido de buscas no seu apartamento e colaborou, apresentando tudo o que foi solicitado. Ele "ressalta que continua à disposição, como sempre esteve e sempre estará, para prestar qualquer esclarecimento necessário e auxiliar a investigação no restabelecimento da verdade", afirmam os defensores André Perecmanis e Paulo Klein.