Política

Bancada do Novo entra na Justiça contra contratações do Executivo

Movimento é para barrar concursos públicos para cargos considerados de atividades não essenciais

"Ato do governo está totalmente na contramão do controle de gastos", afirmou deputado
"Ato do governo está totalmente na contramão do controle de gastos", afirmou deputado Foto : Bancada do Novo / Reprodução / CP

A bancada do Novo ingressou, nesta quarta-feira, com uma ação na Justiça contra o governo estadual para barrar a realização de concursos públicos para o preenchimento de algumas vagas no âmbito do Estado. Segundo os deputados Fábio Ostermann e Giuseppe Riesgo, o ato é irregular, uma vez que ultrapassaria o limite de gastos com pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A exceção é o caso dos servidores das áreas de educação, saúde e segurança. 

No início deste ano, o governo anunciou a realização de concursos para várias áreas, assim como nomeações que estavam em andamento. Segundo a bancada, das 3.688 mil vagas, 1.240 seriam para atividades não essenciais. A estima é de que o custo anual das vagas não essenciais (nomeações e concursos), se forem ocupadas integralmente, será de pelo menos R$ 133 milhões. “A Bancada do Novo precisou tomar providências jurídicas, pois o ato do governo está totalmente na contramão do controle de gastos”, explica Fábio Ostermann. 

Para justificar a ação, os deputados apontam a divergência de dados envolvendo o valor gasto com pessoal (ativos, inativos e pensionistas). Pelos dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) seria superior ao teto, de 49% da receita corrente líquida. Ao mesmo tempo que o TCE utiliza outra metodologia, com índice menor, ficando em 42,49%. Para o deputado Giuseppe Riesgo, isso seria uma "contabilidade criativa". 

Governo do Estado contesta apontamento 

Em nota, o governo do Estado esclare não haver irregularidade na convocação dos concursos e nem nas nomeações de servidores. "Não há desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, como alegam os parlamentares", diz trecho da nota. O Executivo justifica a contratação diante do "boom" de aposentadorias e na trajetória de redução no número de servidores. Reforça o compromisso do governo com a racionalização das despesas, que apresentou queda, revertendo a trajetória de crescimento real observada há mais de dez anos. 

O Executivo detalha que pelo parâmetro do TCE, houve um recuo de 45,60% para 42,49%. Já com base na metodologia da STN, o índice foi de 57,89% para 53,10% em 2020. "Apelar para a completa vedação de reposição nessa ou naquela área é uma aposta meramente ideológica na destruição da prestação de serviços públicos em geral", indica a nota.