A operação Caça-Fantasmas, referente à 32ª fase da Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira, teve como principal alvo o homem que seria o responsável pela FPB Bank, Edson Paulo Fanton. Ele foi conduzido coercitivamente, em Santos, para prestar depoimento. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, os investigadores relataram que o banco, que não tinha autorização para atuar no Brasil, usava os serviços do escritório Mossack Fonseca para criar offshores em paraísos fiscais com a intenção de ocultar a propriedade do dinheiro, originado de propinas de contratos da Petrobras.
Conforme a Folha de São Paulo, os investigadores informaram que o FPB Bank agia de maneira clandestina no País, movimentando contas em território nacional para viabilizar transferências do dinheiro de origem duvidosa para contas no exterior. O trabalho da instituição financeira foi utilizado por pessoas ligadas a empresas investigadas na operação da Polícia Federal (PF).
Foram identificadas 44 offshores abertas pela Mossack Fonseca a pedido dos investigados. Casas e escritórios em Santos, São Bernardo do Campo e São Paulo foram alvos dos mandados de hoje. A procuradora Jerusa Viecili destacou que a opção de terceirizar a lavagem de dinheiro é cada vez mais comum. "Mais e mais criminosos terceirizam a lavagem para diminuir riscos", afirmou.
Instituição obscura
O nome Caça-Fantasmas é uma referência utilizada para a identificação desta nova fase da operação policial e remete, dentre outros aspectos, a um dos objetivos principais da investigação - que foca na apuração de verdadeira extensão obscura da instituição bancária no Brasil, bem como a vasta clientela que utiliza de seus serviços e do escritório Mossack Fonseca para operações financeiras com características de ilicitude e de forma oculta.
Os investigados estão sendo levados às sedes da Polícia Federal nas respectivas cidades onde foram localizados a fim de prestarem os esclarecimentos necessários. Como se tratam de situações de conduções coercitivas, os investigados serão liberados após serem ouvidos no interesse da apuração em curso, recorrendo a operadores financeiros, bancos clandestinos e fábricas de offshores", explicou.
Banco criava offshores para lavar propinas da Petrobras, diz Lava Jato
FPB Bank usou serviços do escritório Mossack Fonseca